terça-feira, 25 de dezembro de 2012


Feliz Natal a todos.

Que Papai Noel tenha trazido muitos presentes para todos vocês.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 32

-Nada, só pensei que você não estava em casa.
Melissa e Alexandra começaram a rir
-Fica tranquila. Eu não vou a lugar nenhum.
-Posso ficar em casa também?
-Não. Falta pouco para as aulas acabarem e amanhã é sábado.
-E você vai trabalhar como sempre.
-Você vai se atrasar para escola.
Renata tomou banho, colocou seu uniforme e pegou sua mochila.
-Podemos ir? - ela perguntou para Melissa.
-Você não vai tomar café?
-Estou sem fome.

Ao chegar na escola, a menina esbarrou em Rafael.
-Acho melhor você comer alguma coisa antes de ir para sala.
-Como você sabe que eu não comi nada?
-Não importa.
Os dois foram até a cantina da escola. Rafael pegou um lanche para ela.
-Espero que goste.
-Obrigada.
Ela comeu o seu lanche enquanto ia para sala.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 31

-Por favor.
-Tudo bem, mas é só hoje.
Renata foi para o quarto da mãe e deitou-se.
-Boa noite. - Alexandra deu um beijo na filha.
A menina dormiu.

O barulho da chuva acordou Alexandra mais cedo do que o de costume. Ela abriu a cortina do quarto e viu a chuva forte, o céu escuro e tempo nublado.
-Ela tinha razão.
Alexandra foi tomar café.

A garota acordou e ouviu o barulho da chuva, mas não viu sua mãe. "Será que ela foi trabalhar", ela pensou preocupada.
-Mãe! - ela gritou.
Ninguém respondeu.
-Mãe! - ela gritou novamente, desta vez mais alto.
Não houve resposta.
Renata foi correndo até a sala ver se sua mãe estava lá, mas não a encontrou. Ela já estava ficando desesperada, quando foi até a cozinha e encontrou Alexandra conversando com Melissa.
-Por que eu não pensei na cozinha? - Renata estava ofegante.
-O que? - perguntou Alexandra.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 30

-Me fala como está a escola. As suas notas continuam boas?
-Lógico.
Alexandra riu.
-Que bom.
-Eu acho que tem coisas melhores para gente conversar.
-Tipo o que?
-Sobre o que  você vai fazer amanhã, já que você vai ficar em casa amanhã.
-Quem disse que eu irei ficar em casa amanhã?
-Vai chover o dia todo.
Alexandra tinha um velho habito de ficar em casa em dias de chuva. Ela fazia tudo que precisava em casa. Era um prazer para ela ficar os dias chuvosos.
-Eu vi a previsão do tempo, vai fazer 32º C.
-Vai chover. - ela sabia que isso era pouco provável.
-Duvido.
Renata começava a ficar cansada, o sono já estava batendo.
-É melhor você ir dormir.
-Posso dormir com você?
-Você não acha que está muito grandinha para isso?
-Só hoje.
-Você fala isso há uns 10 anos.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 29

-Eu faço isso porque sinto sua falta.
-Eu também sinto sua falta.
-Não parece.
A expressão de Alexandra mudou totalmente, ela começou a ficar preocupada.
-Eu esqueci algumas coisas no meu quarto, já volto.
A mãe da menina foi pegar alguns papéis em seu quarto.
O notebook de Alexandra estava ligado. Renata percebeu que a mãe estava olhando a planta de uma casa e algumas fotos.
-Gostou? - Renata não percebeu que a mãe havia voltado.
-Parece agradável, mas por que você vendo isso? Pelo que eu sei você não trabalha com esse tipo de coisa.
-Não mesmo. - Alexandra pensou um pouco. - Um amigo pediu para eu dar uma olhada, ele vai morar nessa casa.
-Sorte dele.
-Também acho.
Renata ficou olhando para o escritório.
-Algum problema? - perguntou Alexandra.
-Eu passo o dia inteiro sem te ver e mesmo assim não tenho assunto para conversar com você.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 28

Era quase meia-noite quando um barulho fez com ela abrisse os olhos.
Renata  foi até a janela.
Sua mãe, Alexandra, estava chegando em casa, ela falava ao celular e parecia alegre.
Um sorriso escapou da menina, ela voltou para cama.
Vinte minutos se passaram e a porta do quarto de Renata se abriu, era Alexandra para verificar  que sua filha estava realmente dormindo, ela fechou a porta e foi para o seu escritório.
Renata esperou um pouco e foi atrás de sua mãe.
-Posso entrar?
-Você e a sua mania de fingir que está dormindo. - Alexandra riu.
-Eu só faço isso para poder ficar alguns minutinhos com você. - os olhos dela se encheram de lágrimas.
-É por isso que eu já tomei uma providencia. - a mãe de Renata parecia estar bastante alegre. - Você não está tomando o calmante, não é?
-Se eu tomar, eu acabando apagando.
-É justamente para isso que você toma ele, ou até alguns dias atrás tomava.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 27

-Acho que agora as minhas perguntas acabaram.
-Ótimo.
Melissa olhou para o relógio e se assustou.
-As horas voaram.
-Nem percebi. - Renata também conferiu as horas no relógio.
-Já está tarde, é hora de criança ir dormir.
-Eu não consigo.
-Vai trocar de roupa e escovar os dentes. - disse Melissa. - Daqui a pouco eu levo um copo de leite e o seu remédio.
-Tudo bem. - a garota fez uma expressão de tristeza.
Renata colocou seu pijama, escovou os dentes e deitou.
Pouco tempo depois Melissa chegou com o leite e o calmante que a menina toma para poder dormir.
-Deixa em cima da escrivaninha. - Renata pediu.
-Depois você toma.
-Certo.
-Boa noite.
-Para você também.
Melissa saiu  e foi para o seu quarto.
A garota não tomou o remédio, ela apenas ficou deitada com os olhos fechados.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 26

-Espero que você não lembre.
O celular de Melissa começou a tocar.
-Com licença. - ela saiu da sala para atender.
Poucos minutos depois ela voltou.
-Quem era?
-Meu namorado.
Renata começou a rir.
-O que ele queria?
-Nada do seu interesse.
-Ele mora aqui?
-Pensei que as suas perguntas haviam acabado.
-Elas surgem do nada.
-Não.
-Onde ele mora?
-Em Sequim nos Estados Unidos.
-Acho que meu pai mora lá.
-Mora.
-Como você sabe?
-Sua mãe me falou um pouco sobre ele.
-Isso é raro, ela evita falar sobre ele.
- A Julieta me falou.
-E por que seu namorado mora tão longe?
-Ele quis começar uma vida nova lá.
-Por que você não foi morar junto com ele?
-Ainda não estava na hora.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 25

Melissa começou a rir.
-Desculpa desapontá-la, mas eu tenho 25 anos.
Renata ficou séria.
-Você está brincando. Não parece.
O interfone tocou.
-Deve ser a pizza.

Após o jantar Renata retomou  o interrogatório.
-Ainda tem mais perguntas?
-Seu eu lembrar de mais alguma.
-Certo.
-Você conhece o meu pai.
-Próxima.
-Por quê?
Melissa pensou para responder.
-Eu posso ter conhecido ele e não saber que é o seu pai.
-Verdade.
A menina pegou uma foto do pai.
-Você conheceu ele em algum lugar?
-Não. - a governanta mudou sua expressão, ela ficou séria.
-Acho que as perguntas acabaram.
-Pensei que seria pior.
-Se eu lembrar de mais alguma eu falo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 24

-Sim.
-Qual curso?
-Moda.
-Mentira.
-É sério.
-Fez ou faz mais outro curso?
-Inglês, francês, espanhol e italiano.
-Por que tantos?
-Vontade e necessidade.
-Quem é a sua família?
-Meu pai, minha mãe e meus irmãos.
-Filme favorito?
-Gosto de vários.
Renata passou a pensar mais nas perguntas e demorar mais tempo para fazê-las, depois de tantas o questionário ia diminuindo.
-Seu namorado é mais novo ou mais velho que você?
-Por que você quer saber isso?
-Minhas perguntas estão acabando.
-Mais velho.
-Quantos anos ele tem?
-Próxima.
-Hum...
A garota fez outra careta.
-E quantos anos você tem? - ela parecia um pouco confusa.
-Adivinha.
-Acho que uns 18 ou 19 anos.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 23

-O que tem de engraçado nisso?
-Morava onde antes de vir para o inferno?
-Em Londres.
-O que?Você trocou Londres por isso aqui?
-Parece que sim.
-Trabalhava com o que?
-Não queira saber.
-É tão ruim assim?Ou é pervertido demais.
-Nem um, nem outro.
-Então é o que?
-Eu não trabalhava.
A garota fez uma careta.
-Não entendi.
-Meu pai mora lá. Eu só estava passando um tempo com ele.
-Menos mal.
-O que você imaginou?
-Não queira saber.
-Próxima.
-Escolaridade?
-Até isso?
-Sim.
-Ensino superior.
-Você já fez faculdade?
-Vou contar como uma pergunta.
-Tudo bem.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 22

Renata ficou um pouco confusa.
-Como você sabe das fotos?  - ela se assustou ao ouvir Melissa dizer sobre isso. - Nem a minha mãe sabe.
-Eu encontrei a câmera e imaginei. - Melissa explicou. - Lógico que a sua mãe não sabe, isso é algo que você herdou do seu pai.
-E como você ficou sabendo disso?
-Ouvi a sua mãe comentar que ele é um bom fotografo.
-Agora é a minha vez de fazer perguntas.
-Tudo bem.
-O que te fez querer ser babá de uma adolescente de 16 anos?
Melissa trabalhava há pouco tempo na casa de Renata. Então, a menina sabia pouquíssima coisa sobre sua governanta.
-Próxima. - Melissa riu timidamente.
-Acho que essa era a pergunta mais fácil. Tem certeza que não quer responder?
-Próxima.
-Relacionamento?
-Namorando.
-Hum. - Renata se segurou para não rir.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 21

-São cálculos muito fáceis.
A governanta ajudou Renata em tudo que ela tinha dificuldade.
As duas ficaram horas estudando.
-Espero que eu tenha conseguido te ajudar.
-Conseguiu sim. Muito obrigada. - a menina deu um abraço em Melissa. - Já pode pedir a pizza.
-A de sempre?
-Sim. E pede também um refrigerante.
-Certo.
Depois de pedir a pizza Melissa foi assistir televisão com Renata.
-Você ainda não me falou como estão as suas notas.
-Péssimas. Estou de recuperação em quase todas as matérias.
-Mas vocês não ficam sabendo disso no final do bimestre?
-Sim, mas a minha situação está horrível.
-Estudar um pouco mais ajudaria.
-Eu sei, mas não é fácil estudar com esse tumulto todo.
-Entendo.
-Eu que não entendo porque te falo tudo isso. Você é só minha governanta.
-Você me fala tudo isso porque se sente sozinha. Você precisa arrumar outro jeito de se expressar além da fotografia. - disse Melissa, se aproximando da menina. - Eu posso ser muito mais do que só sua governanta, posso ser sua amiga.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 20

-Eu sei disso.
Renata voltou para casa. Melissa foi atrás dela.
-Entendo que você não queria falar sobre isso.
-Será que você pode continuar me ajudando?
-Posso, mas com uma condição.
-Qual?
-Que você conte tudo para sua mãe.
-Se minha mãe descobrir que você me ajudou ela pode te demitir.
-Eu vou correr esse risco.
A garota ficou olhando para a governanta.
-Estou atolada em todas as matérias, mas vamos começar por matemática.
-Só me responde uma coisa.
-O que?
-Já que sua irmã não vai jantar em casa. O que você quer que a Julieta prepare?
-Pede uma pizza.
-Tudo bem. Depois eu ligo para pizzaria.
-Só não espera eu estar morrendo de fome como você sempre faz.
-Vai pegar seu material.
Renata levou tudo para sala.
-Começamos por onde? - Melissa pegou o fichário da menina.
-Eu tenho dificuldade para fazer alguns cálculos. - a menina explicou mostrando a matéria.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 19

-Eu me esqueci de como é bom ficar aqui.
-Rê, eu entendo tudo que está acontecendo com você, mas já passou da hora da Alexandra saber de tudo. Você não pode continuar mentindo sobre as suas notas.
-Minha mãe não se preocupa comigo. Ela passa o dia inteiro naquela maldita empresa e quando chega em casa só quer saber da filhinha que está no último ano da faculdade. - Renata começou a chorar.
-Em vez de você falar isso só para mim fala para ela.
-Como?Minha mãe nunca está em casa e chega quase de madrugada. - a garota estava bastante abalada. - Eu nem sei o que ela  faz naquele lugar.
-Renata, tudo que você tem é por causa disso.
-Eu sei, eu sei. Não precisa começar o sermão.
-Não é sermão.
-Será que ninguém percebeu que eu estou sofrendo com tudo que está acontecendo? - ela gritou.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 18

-Ela nunca cumpre o que promete.
Beatriz entrou na cozinha.
-Meninas eu não vou jantar em casa e não sei se voltou ainda hoje. - ela informou. - Ah. Rê, esse negócio na sua testa está bem melhor. - Beatriz saiu rindo.
-Quanto tempo de prisão eu pego se der uma surra nela?
-O suficiente para se arrepender depois.
-Vamos ser só nós duas no jantar.
-Você aproveita e me fala como estão as suas notas. Você prometeu que elas iriam melhorar.
-Acho que suborno não vai adiantar.
-Vem comigo, vamos conversar.
-Eu não quero. - Renata mudou totalmente sua expressão.
-Mas você precisa, vai te fazer bem. - Melissa segurou as mãos da menina. - Vem comigo.
-Tudo bem. - a garota ensaiou um sorriso.
Melissa levou Renata até o jardim da casa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 17

Melissa pegou o kit de primeiros socorros.
-Pode doer um pouco. - ela começou  limpando os ferimentos.
Alguns minutos depois a governanta  já havia terminado de fazer os curativos.
-Me explica como você conseguiu esses machucados.
-Eu estava andando de bicicleta no parque. Não vi um galho na minha frente, bati nele e caí.
Enquanto Renata explicava Melissa fez um sanduíche para a menina.
-É bom você comer alguma coisa.
-Obrigada. - ela pegou o sanduíche. - A minha mãe já chegou?
-Sua mãe ligou agora pouco, ela disse que vai chegar tarde e que não é para você e a sua irmã esperarem ela para jantar. - Melissa informou com pesar. - A Alexandra também falou para você não  a  esperar chegar.
-Pelo jeito ela vai voltar tarde.
-Sim.
-O que vamos ter para o jantar? - Renata tentou mudar de assunto.
-É a sua irmã que vai decidir.
-Já posso pedir uma pizza?
-Dessa vez ela prometeu que vai pedir para Julieta cozinhar algo que você goste.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 16

-Não. Eu senti que algo ruim poderia acontecer. Tipo isso. - ele pegou um pedaço de algodão, molhou com água e limpou o corte.
-Não é o que parece.
-Você consegue se levantar?
-Acho que sim. - ela se apoiou nele e se levantou.
-É melhor eu te levar para casa.
-Não precisa, eu consigo ir sozinha.
Rafael levou Renata até sua casa.
-Cuida desse machucado.
-Não vou esquecer.
A menina entrou no condomínio e foi para sua casa.
-O que aconteceu com você? - Beatriz se assustou ao ver o estado de sua irmã.
-Só caí de bicicleta.
Renata tomou um banho, colocou roupas limpas e foi até o espelho ver o corte na testa que não parava de sangrar. Ela foi até a cozinha.
-O que aconteceu com você? - perguntou a governanta.
-Mel, você pode fazer um curativo nisso para mim? - ela mostrou o corte na testa e os braços ralados.
-Posso.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 15

-Até agora eu ainda não precisei.
-Vamos apostar uma corrida?
-Você tem bicicleta?
-Está ali. - ele apontou para uma bicicleta encostada em uma árvore.
-Até a entrada do parque.
-Certo.
Rafael foi pegar sua bicicleta. Enquanto isso, Renata guardou a sua câmera na mochila.
-Preparada?
-Sim.
-Um, dois, três...Valendo.
Os dois saíram o mais rápido possível.
Renata liderou a corrida o percurso inteiro. Próximo de onde eles marcaram a chegada ela virou para trás para ver a posição do seu ponente e não viu o galho de uma árvore e acabou batendo a cabeça e caiu da bicicleta.
Rafael foi socorrê-la.
-Você está bem? - ele parecia desesperado.
-Minha cabeça. - ela colocou a mão na testa e viu que estava sangrando.
-Acho que eu trouxe alguma coisa para tratar isso. - o rapaz começou a vasculhar sua mochila.
-Você já sabia que isso iria acontecer?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 14

Rafael mostrou o seu braço para ela.
-Isso é impossível. - ela olhou para o seu próprio braço e depois olhou o dele. Os dois tinham a mesma cicatriz no pulso esquerdo.
-Para mim isso é muito mais do que coincidência.
-Você acha?
-Tenho certeza. - ele confirmou. - Foi por causa disso que eu comecei a te observar. Nós temos muitas coisas em comum. - Rafael riu.
Renata não havia percebido que ele estava com uma câmera fotográfica pendura no pescoço.
-Tipo isso? - ela apontou para câmera do rapaz.
-Exatamente.
-Alguma coisa me diz que não é só por isso que você  veio atrás de mim.
-Eu gosto de tirar fotos com você, ou melhor, de você.
-De mim? - ela ficou envergonhada.
-Você é muito bonita.
-Obrigada. - Renata ficou encantada  com o elogio dele. - Mas ainda não é isso que te trouxe até aqui.
-Eu achei que você pudesse precisar de mim.
-Pressentimento? - ela riu.
-Quase isso.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 13

Não era a primeira vez que isso acontecia. Sempre que  saía para tirar fotos ela tinha essa impressão.
Ao se virar novamente para ver se via alguém ela  percebeu uma pessoa se escondendo atrás de uma árvore.
Cuidadosamente ela foi se aproximando da árvore, sem fazer barulho. Renata agarrou a pessoas pelo capuz da camiseta e puxou.
-Há quanto tempo você está me seguindo. - perguntou Renata, nervosa.
-Você percebeu? - Rafael estava meio cansado e com certo medo.
-É, percebi ou você acha que vai ficar me seguindo por ai e eu não vou perceber. - ela ainda estava muito nervosa. - Por que você faz isso?
-É uma longa história. - ele sentou-se em uma banco para descansar.
-Estou com tempo de sobra. Pode começar. - Renata sentou-se ao lado dele.
-Já faz muito tempo que eu te observo, para ser mais exato, desde o início do ano, quando a gente se conheceu.
-Por quê? - ela parecia não entender o interesse dele, já que ele sempre a evitou.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 12

Renata foi para o seu quarto e se jogou na cama.
-Por que você sempre faz isso? - ela perguntou.
A menina pegou o celular na mochila, ela iria fazer uma ligação, mas mudou de ideia.
Após tirar o uniforme da escola e colocar uma roupa mais confortável Renata pegou uma mochila que estava embaixo de sua cama e saiu.
-Você não vai almoçar? - perguntou Beatriz, enquanto a irmã saía de casa.
-Estou sem fome. - gritou Renata.
Antes de sair, ela passou na garagem de sua casa e pegou sua bicicleta. A garota saiu do condomínio e foi até o parque próximo dali.
Ao se aproximar do parque ela teve a sensação de estar sendo seguida. Renata olhou para trás e não viu ninguém."Isso é loucura", ela pensou.
Depois de descer da bicicleta, ela tirou uma câmera fotográfica da mochila e começou a tirar fotos.
Várias fotos foram tiradas, ela foi até outros lugares do parque com a bicicleta. A Sensação de estar sendo seguida voltou.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 11

-Minha mãe é amiga dos pais da Nathália e do Matheus. Para ela eu ando muito triste e sozinha. - explicou Renata . - Ela falou isso para os pais deles e alguém teve essa brilhante ideia de obrigar os dois.
-Imagino como você deve se sentir.
-É horrível.
-Bem-vinda ao grupo dos esquisitos. - Rafael estendeu a mão para cumprimentá-la., na tentativa de amenizar o clima ruim que ficou depois da explicação de Renata.. - Ah. Sim, você pode.
-Pode o que?
-Fazer o trabalho de Biologia comigo.
-Obrigada. - ela deu um abraço nele.
-Agora termina seu lanche, o intervalo está quase acabando.

Era quase meio-dia quando Renta voltou para casa.
-Onde está a mamãe? - ela perguntou para sua irmã mais velha, Beatriz.
-Ela não vai almoçar em casa.
-Como sempre. - Renata se decepcionou com a notícia.
-O almoço já está pronto. - Beatriz informou. - Vai trocar de roupa.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 10

-Queria saber se posso fazer o trabalho com você? - Renata estava entusiasmada.
-Não sei se é uma boa ideia. - já Rafael não estava nem um pouco entusiasmado.
-Por que não?
-Eu e você meio que não combinamos. - ele parecia decepcionado. - Não vai ser bom para você ficar andando com um esquisito.
-Tem duas coisas que você não sabe sobre mim. - ela estava bastante desconfortável, mas decidida.
-O que?
-Eu também sou esquisita e não dou a mínima para o que dizem de mim.
-Você esquisita? - ele ria ironicamente. - Onde?
-A Nathália e o Matheus não são meus amigos.
-Como não? - Rafael se assustou.
-Eles são obrigados a ficar comigo o tempo todo, se não os dois perdem boa parte da mesada que eles ganham. - os  olhos dela  se encheram de lágrimas - Minha mãe diz que isso é mentira, mas eu não acredito nela.
-E como você sabe disso?
-Eu escutei os dois falando sobre isso.
-E quem obriga eles?

Vivendo na Escuridão-Capítulo 9

-Vai começar com a gozação? - Renata  se irritou com a brincadeira do colega.
-Desculpa. - Rafael entregou uma folha com as instruções do trabalho para ela. - Depois você me devolve e qualquer duvida é só me procurar.
-Obrigada. - ela guardou a folha na mochila.
O sinal tocou e eles voltaram para sala de aula.
Renata não fez questão da companhia de seus amigos.
Foi uma aula como todas as outras, cansativa e pouco produtiva, como era a maioria das aulas. Por sorte esse era o último bimestre.
A garota saiu para o intervalo sem os amigos, o que era atípico, já que eles sempre andavam juntos. Ela comprou o seu lanche e ficou olhando ao redor do refeitório. Só parou quando encontrou quem procurava. Ele estava em uma mesa afastada das outras e como de costume sozinho.
-Te achei. - ela sentou-se ao lado dele.
-O que você quer?
-O trabalho de Biologia é em dupla.
-Eu estava com medo de que você visse essa parte.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 8

-Eu sempre te vejo sozinho. Você não tem amigos? - ela ficou meio desconfortável ao fazer essa pergunta.
-Não.
-E por quê?
-Acho que eu já sou bastante estranho, eu não preciso de nada que me deixe ainda mais estranho. - Rafael parecia decepcionado.
-Eu não te acho estranho.
-É sério ou você está me zoando? - ele não acreditou no que ouviu.
-É. Você sempre me pareceu ser uma pessoa legal. - Renata estava sendo sincera, era isso que ela achava dele, mesmo o conhecendo tão pouco. - Você daria um ótimo amigo.
O garoto não disse nada, apenas sorriu.
-Não esquece de fazer o trabalho. - ele disse, rindo como se aquilo que ele tinha acabado de dizer fosse uma piada.
-Que trabalho? - ela se assustou.
-Aquele. - ele apontou para lousa, todas as informações sobre o trabalho estavam escritas lá.
-Eu não vi ele escrevendo isso. - Renata ficou ainda mais assustada.
-Você é completamente lerda. - ele ria muito com tudo que estava acontecendo. - Deve ser por isso que você está nessa situação.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 7

-Como você faz isso? - ela estava intrigada.
-Faz o que? - ele perguntou, confuso.
-Você em nenhum momento prestou atenção no que o professor falou e ainda terminou o exercício primeiro que a sala inteira. - Renata estava curiosa e ao mesmo tempo indignada.
-Não tenho culpa se vocês são lerdos. - ele esboçou um sorriso.
-Lerdos?
-Exatamente.
Mesmo sem uma resposta ele a ajudou no termino dos exercícios. Poucos minutos depois ele já tinha terminado.
-Viu, não era muito difíceis.
-Você que é um gênio da Biologia. - Renata não acreditava na habilidade do garoto. - Como eu nunca percebi isso? - ela não se conformava, como esse detalhe passou despercebido?Afinal, eles estavam estudando juntos desde o início do ano.
Renata começou a prestar mais atenção nos rabiscos do colega.
-Algum problema? - ela estava sério, parecia incomodado.
-Nenhum. Na verdade é uma duvida. - os olhos dela deixaram se preocupar com os desenhos e passaram a olhar para ele.
-Qual? - seu tom de voz parecia preocupado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 6

O menino ficou olhando para ela e depois virou o rosto para a janela. Renata pegou seu caderno e os livros que o professor marcou na lousa.
Rafael começou a rir discretamente.
-Algum problema? - ela perguntou, encarando-o
-Não. - ele mudou sua expressão, ficou sério, Rafael nunca gostou que as pessoas o encaresse.
-Então por que o riso?
-Você sempre fica assim depois de brigar com alguém. - ele apontou para as mãos dela, que estavam tremendo.
-Só quando eu sei que a pessoa pode me atacar.
-A Nathália não me parece tão selvagem. - ele voltou a rir.
-Experimenta brigar com ela.
-Não, obrigado.
Rafael voltou a se concentrar no que olhava pela janela. Ele começou a rabiscar a última folha do caderno e ignorou o professor quando ele começou a explicar a matéria.
Mesmo não prestando atenção na explicação do professor ele conseguiu fazer os exercícios e terminar primeiro que Renata.
-Você precisa de ajuda? - ele perguntou, espiando o caderno dela.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 5

-Egocêntrico. - Nathália disse para si mesma, quase sussurrando. - Alguém andou perdendo a noção do perigo. - ela continuava a sussurrar, agora com certa raiva.
-E alguém andou perdendo a noção da educação. - Renata que estava próxima da amiga, escutou o que Nathália falou. - Que coisa feia ficar escutando a conversa dos outros. - Renata estava quase gritando, ela estava com raiva do que Nathália havia feito.
-Feio foi você tratar o professor daquela forma. - Nathália também se alterou, ela também estava gritando.
Renata se aproximou dela e disse:
-Por que você não assume que está apaixonada por ele?
-Você não sabe do que está falando.
Renata deixou os dois e entrou no laboratório.
Nathália olhou para Matheus.
-Você vai deixar ela me tratar assim?
-Me desculpa, mas nisso eu tenho que concordar com ela.
Matheus também entrou no laboratório.
-Idiota. - ela gritou para ele, com raiva.E entrou.
Renata sentou-se no seu lugar, que era ao lado de um garoto muito estranho que trocava meia palavra com ela e só durante os exercícios da aula.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 4

-Mas isso seria de grande ajuda, afinal, eu precisaria de menos pontos para passar na sua matéria.
-Exatamente.
-Por que todo esse interesse em me ajudar? - Renata perguntou.
-Porque o senhor diretor já está começando a pensar que eu não sei dar aulas direito, já que a minha melhor aulas está de recuperação. E desse jeito eu nunca serei vice-diretor da escola.
-Eu sempre soube que nisso tinha um pouco de egocentrismo. - ela disse, esboçando uma expressão de desapontamento.
 -O que você disse? - o professor parecia  não ter acreditado no que tinha  acabado de ouvir de Renata.
-Você é um EGOCÊNTRICO. - Renata já estava tirando sarro do professor.
-O que será que o diretor vai achar disso? - ele mudou a sua expressão.
-O que será que ele vai achar em saber que você só quer me ajudar para ser vice-diretor. - ela foi direta.
-Estude bastante essa semana, a prova será segunda-feira.
-Estudarei. - Renata ria da situação, mas ela sabia que isso era arriscado.
Renata deixou  a sala e foi se encontrar com os amigos, a próxima aulas deles seria de biologia, eles estavam indo para o laboratório.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 3

-Eu posso te ajudar. - agora ele olhava para o que a garota estava copiando. - Se você quiser, é claro.
-Me ajudar? - ela perguntou, largando a caneta sobre o fichário. E olhou fixamente para os olhos dele.
-Sim. - ele virou o rosto e  começou a olhar o outro lado da sala. - Se você se interessar me procure depois da aula.
-Farei isso. - Renata pegou a caneta e voltou a copiar a lição.
O professor voltou a andar pela sala.
Nathália ficou atenta a conversa dos dois, mas não conseguiu escutar nada. Ela pegou um pedaço de papel e escreveu em bilhete para Renata.

O que ele queria?

E entregou para a amiga.
Renata leu o bilhete virou o papel e respondeu.

Nada de mais. Depois eu falo.

Nathália ficou indignada com a resposta de Renata.
Ao final da aula, depois que todos já haviam saído, Renata foi falar com o professor.
-Você veio. - disse ele, rindo.
-Eu falei que viria. - ela respondeu fria. - No que você pode me ajudar?
-Sua situação na minha matéria está péssima.
-Eu sei.
-Eu posso passar algumas provas para você, mas de qualquer forma você vai para recuperação na minha matéria. - ele explicou, com calma.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vivendo na Escuridão-Capítulo 2

-O sinal já vai tocar e eu não quero chegar atrasada. Não na aula de matemática.
-A primeira aula é dele? - perguntou Matheus, com certo desespero.
-Sim. - Nathália confirmou.
-Essa aula  vai render.
-Nem me fala. - Renata concordou com o amigo.
-Eu gosto das aulas de matemática.
-Você gosta do professor de matemática. - disse Matheus.
-Isso não é verdade.
-Já estou indo.
Enquanto Matheus e Nathália discutiam, Renata foi caminhando para o prédio da escola, rumo aula de matemática. Quando ela chegou na sala de aula viu que o professor já havia chegado, ela foi para sua carteira. Alguns minutinhos depois Nathália e Matheus chegaram na sala.
-Custava ter esperado a gente. - Nathália sentou-se na carteira ao lado de onde se encontrava Renata.
-Custava.
O professor esperou mais alguns alunos entrarem e começou a aula. Depois de passar alguns exercícios na lousa para os alunos, os professor começou a andar entre as carteiras. Ele parou diante de Renata.
-Você está bem encrencada na minha matéria. - disse ele, olhando para ela.
-Imaginei - Renta em nenhum momento olhou para ele, a menina continua copiando os exercícios em seu fichário.

Vivendo na Escuridão-Capítulo 1

Renata chegou na escola e se juntou aos seus amigos, Nathália e Matheus, eles estavam sentados debaixo de uma árvore no pátio da escola, os dois escutavam música no ipod dele.
-Olha quem chegou. -  disse Nathália, tirando um dos fones de ouvido.
-Eles disseram alguma coisa sobre a lista dos alunos que ficarão de recuperação? - perguntou Renata, enquanto sentava-se ao lado dos dois.
-A lista só irá sair no final do bimestre. - respondeu Matheus.
-Até lá eu posso fazer alguma coisa para passar em alguma matéria. - Renata pegou seu fichário, que estava guardado em sua mochila e começou a folheá-lo.
-É igual ao que a minha mãe sempre diz: "É tentar salvar os destroços depois que o navio já afundou." - disse Nathália, colocando novamente os fones de ouvido.
-Você ainda tem sorte de ter recuperação. Meu pai vive dizendo que na época dele não tinha isso não, os alunos repetiam direto. - disse Matheus.
-É o meu sonho de consumo repetir o segundo ano do Ensino Médio. - Renata deitou-se na grama verde do pátio. - Mais que maravilha.
-Não se preocupa, você tem muita capacidade para passar de ano sem muitas dificuldades. - Matheus tentou confortar sua amiga. Ele tentou-se ao seu lado.
-Concordo com ele e ainda vai nos ajudar a passar de ano também. - brincou Nathália, para descontrair o clima.
-Se eu fosse vocês não contavam muito com isso. - Renata se levantou e guardou o fichário na mochila.

Web Histórias

O nome da nossa próxima Web História é VIVENDO NA ESCURIDÃO.

Resumo da história:

Aquela cidade nunca mais será a mesma. Após a chegada de Rena tudo começa a acontecer, surgem lendas e mistérios, antigos mostro retornam,  seres mágicos aparecem e pessoas ganham poderes. Com ajuda de seus amigos Renata tenta manter tudo isso em segredo para que nada de ruim aconteça.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Web Histórias

ACABOU.
Mais uma história chegou ao fim, mas daqui a pouco vem outra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 202

-Cuidem bem dela. - minha mãe disse para o monitor.
-É o nosso dever.
Minha mãe me abraçou e não me soltou mais.
-Mãe solta.
-Não.
-Mãe.
Meu pai puxou ela.
-Calma.
Me despedi de todos.
-Boa sorte e divirta-se. - a Alice disse para mim.
-Vou tentar.
Eles entraram no carro e se foram.
-Pronta para se reabilitar da forma mais legal que você já viu?
-Acho que sim.
O monitor, que não era muito mais velho que eu, me achou com as malas.
-Até porque eu nunca me reabilitei.
-Lógico que já. Todos nós nos reabilitamos a alguma coisa, as vezes sem perceber.
-Esse camp vai ser chato igual a você?
-Por que você não entra  e vê?
-Lá vou eu.

                                                [ The End ]

Rehab-Capítulo 201

A Alice fechou a porta e saiu.
Eu fechei os olhos e tentei ter bons sonhos.

-Acorda. - a minha mãe me chamou baixinho.
-Que horas são?
-Bem cedo.
-Percebi.
-Você precisa estar as nove horas lá.
-Já estou levantando.
Levantei da cama sem pressa nenhuma. Fui para o banheiro, tomei banho e fui colocar a minha roupa que fiquei horas escolhendo, afinal, quero dar boa impressão.
Fui tomar café.
Coloquei a minha mochila e a mala no carro da  Alice. Me despedi da Hilary e da Nathaly, os outros iriam comigo. Meu pai foi no carro dele junto com a sua namorada, a minha mãe foi comigo no carro da Alice.
Fiquei três horas mofando dentro do carro até chegar ao bendito camp.
-Bem-vinda  Anahy Taylor. - disse o monitor.
-Any. - corrigi.
-Bem-vinda Any. - o monitor me cumprimentou novamente.
-Obrigada.
Olhei para a minha mãe, ela estava chorando.
-Se cuida.
-Pode deixar.

Rehab-Capítulo 200

Depois nos reunimos na sala e cada um falou sobre a sua viagem de férias. Começou com a Hilary, que iria junto com umas amigas da escola em uma vigem para o Rio de Janeiro. Logo depois foi a vez da Nathaly falar sobre a sua viagem, ah ela assumiu que gosta do Bruno e eles vão juntos nessa viagem para Recife. Meu pai falou que a sua viagem e a da Patrícia seria um cruzeiro de quinze dias. Minha mãe nega, mas ela arrumou um namorado e eles vão para a Baixada Santista com mais alguns amigos. A Alice o Bernardo vão conhecer a nova casa deles em Los Angeles. Eu fui a última a contar sobre a minha viagem.
-Eu vou para um camp. Não façam perguntas porque eu não sei de mais nada, pois ninguém me falou.
-Depois dessa, dormir é uma ótima opção.
-Também acho. Vamos viajar todos amanhã.
Meu pai foi para sua casa. E na minha todos já estavam na cama, só eu que não . A Alice já estava quase me amarrando.
-Você andou bebendo café?
-Não.
-Então por que você está assim?
-Ansiedade.
Ela apagou  a luz do meu quarto, deitou do meu lado e me abraçou.
-Vai ser um camp como qualquer outro.
-Não vai.
-Boa noite. Tenha bons sonhos.

Rehab-Capítulo 199

Ficamos no parque até o anoitecer. Depois fomos devolver as bicicletas na casa da Roberta e eu me despedi dela.
-Até mês que vem. - ela disse, chorando.
-Não falta muito.
-É muito sim. - a Roberta me abraçou com tanta força que eu fiquei sem ar.
-Eu vou voltar igual.
-Acho que não.
-Tá, só em algumas coisas eu vou voltar diferente. Vou voltar melhor.
-Eu gosto de você assim, mas como eu não quero te perder é melhor você ir.
-Até mês que vem.
Dei outro abraço nela e voltei para casa.
-Direto para o banheiro. Vai tomar um banho. - a minha mãe mandou.
Tomei um mega banho e coloquei a minha roupa favorita, provavelmente era a roupa mais velha que tinha dentro do meu guarda-roupa.
-O jantar está pronto. - a Alice passou no meu quarto para me avisar.
Jantamos todos juntou, inclusive meu pai e a Patrícia. Minha mãe por algum milagre não implica com mais ninguém, nem com a Taís, que continua casada e está grávida.
O jantar foi maravilhoso.

Rehab-Capítulo 198

-Na minha casa tem.
-Vamos até lá pegar e depois vamos para o parque.
-Ótima ideia.
Pegamos as bicicletas na casa da Roberta e fomos para o parque.
Durante o nosso passeio encontrei o meu pai passeando com a nova namorada dele, que eu já conhecia, ele estava namorando com a Patrícia, minha professora de Educação Física. Acenei de longe quando eles me viram, não queria atrapalhar o passeio deles e nem o meu.
A Roberta parou e ficou me olhando.
-O que foi?
-Seu pai e a minha estavam tendo um caso.
-Eu sei.
-Nós fomos meio que irmãs durante alguns dias. - ela disse.
-Você é minha irmã.
-Forever?
-Forever.
-Isso é ridículo.
-Final de filme.
-Também achei.
-Então vamos parar porque essa história não acaba agora.
-Verdade.
-Melhor nós voltarmos a pedalar antes que eu comece a chorar. - a Roberta confessou brincando.
-Não duvido.

Rehab-Capítulo 197

-Você é normal.
-Não para essa sociedade.
-Para mim você é e isso já é o suficiente.
-Para com isso, eu sei que você nem vai sentir minha falta.
-Lógico que vou. Imagina se você arruma outra melhor amiga.- ela disse, com lágrimas nos olhos.
-Se eu arrumar outra melhor amiga, você também irá arrumar porque para ela ser minha melhor amiga terá que ser sua também.
-Se eu não gostar dela.
-Não complica tudo e  para de se precipitar.
-Terminou de arrumar tudo?
-Pelo que está na lista, sim.
-Você fez uma lista?
-Não. Minha mãe, meu pai e a Alice fizeram.
-É muita gente para uma lista só.
-E uma mochila muito pequena.
-Na verdade são uma mochila e uma mala.
-Pode ser.
-Vamos aproveitar nosso último dia antes da viagem.
-Demorou.
-O que nós podemos fazer?
-Não sei.
-Vamos andar de bicicleta.
-Eu não tenho bicicleta.

Rehab-Capítulo 196

-Basicamente.
-E nós não vamos poder ir visitar você. - minha mãe disse.
-Por quê?
-Para que você possa se dedicar melhor ao tratamento. - meu pai explicou.
-Também não pode levar celular, notebook e nem objetos parecidos. - a Alice me comunicou.
-Isso já é tortura.
-Você vai ver que não. - a Alice falou.
-Eu irei para esse lugar daqui a dois meses? - perguntei.
-Exatamente.
-Tomara que os dias passem bem devagarinho.
-Não vão, não.

Minha tinha razão total, dois meses passam rápido. Lá estava eu, arrumando a minha mala e uma mochila para ir ao camp. A Roberta estava comigo.
-Será que eu não posso ir junto?
-Só se você já tentou se matar.
-Não vai rolar.
-Acho que eu vou para um lugar cheio de adolescentes suicidas.
-Iguais a você.
-Iguais a mim. Eu vou ser normal uma vez nada vida.

Rehab-Capítulo 195

-Então já está tudo resolvido? - meu pai perguntou para minha mãe e para Hilary.
-Sim. - elas responderam.
Depois de mais algum tempo a Alice e o Bernardo se juntaram a nós na cozinha.
-Não é muito cedo para já organizar viagem de férias? - o Bernardo perguntou.
-Não, dois meses passam rápido.
-Vocês já falaram para ela?
-Ainda não. Você estragou a surpresa.
-Desculpa. Aproveita que eu já estraguei tudo e fala logo. - a Alice falou.
-Vocês estão me deixando curiosa.
-Sua irmã já estragou a surpresa mesmo. - meu pai disse.
-Você também vai viajar nas férias.
-Para onde? - perguntei empolgada.
-Você vai para um camp de reabilitação, no interior da cidade. - minha mãe explicou.
-Você vai ficar um mês lá.
-Que nome bonitinho vocês arrumaram para clinica.
-Não é uma clinica.
-Vai ser bom para você ficar com pessoas da sua idade e que passam pelo mesmo problema.
-É legal lá?
-Você só vai saber se você for.
-Pelo jeito que vocês falaram eu vou de qualquer forma.

Rehab-Capítulo 194

-Qual?
-Vamos para pizzaria.
-Só se for agora.
-Ótima ideia.
Fomos para pizzaria.
Há muito tempo nós não fazíamos isso e também não tínhamos um pouco de paz.
Foi um dos melhores momentos que eu tive com a minha família.
Quando voltamos já estava muito tarde.
-Pai, você poderia dormir aqui. - eu disse.
-Não acho uma boa ideia.
-O quarto de hospedes está vazio. - minha mãe disse para ele.
Muitas coisas aconteceram enquanto eu fiquei internada, uma delas foi o divorcio dos meus pais.
-Acho que apenas uma noite não vai fazer mal. - a Alice tentou convencê-lo também.
-Tudo bem.
Meu pai dormiu em casa como nós pedimos.
Todos acordaram logo cedo para tratar de uma viagem que a Hilary iria fazer nas férias. Me juntei a eles e tomei o máximo de cuidado para não atrapalhar.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 193

-Eu fui injusta com você. Não sei como e nem porque comecei a agir daquela forma, acho que foi o medo de te perder junto com a sensação de impotência.
-Eu me magoei muito.
-Com razão.
-Você sabe que eu não consigo perdoar as pessoas com facilidade, é um defeito que eu tenho.
-Eu entendo.
-Mas existem exceções. Você é uma delas.
-Você não existe.
-A pipoca está pronta?
-Sim.
Peguei um balde de pipoca para mim e levamos o resto para sala.
Meu pai já tinha se mudado, então momentos iguais a esse serão raros de acontecer.
Assistimos o filme e logo depois assistimos outro. Ficamos até tarde com a nossa seção de cinema.
-Temos que fazer isso mais vezes.
-Alguém pede uma pizza, estou morrendo de fome.
-Tenho uma ideia melhor. - minha mãe disse.

Rehab-Capítulo 192

-Ainda gosto.
-Mesmo depois de você ter tentado se matar por causa do que eu falei?
-Mesmo depois disso.
-É por isso que eu te amo.
-Agora chega desse drama todo.
-Estão todos na sala, vamos até lá?
-Vamos.
Fomos para sala. Estava passando um filme que eu já havia assistido no minimo umas dez vezes.
Fui até a cozinha, a minha mãe estava preparando a pipoca.
-Não vai assistir o filme pela milésima vez? - ela perguntou.
-Não vai fazer diferença, eu já sei o que acontece.
-Então você pode me fazer companhia até a pipoca ficar pronta.
-Mas antes você vai ter que responder uma pergunta.
-Tudo bem.
-O que fez você mudar de atitude comigo?
-Parece que você está lembrando das coisas mais desagradáveis.
-Infelizmente.

Rehab-Capítulo 191

-Você lembra que eu fui embora?
-Acho que acabei de lembrar disso.
-Não foi por sua causa que eu fui embora.
-Foi por qual motivo?
-Eu tive uma briga com o papai e com a mamãe e saí de casa.
-Depois você não voltou mais.
-Acho que você está começando a lembrar de mais algumas coisas.
-Foi por isso que eu tentei me matar.
-Pelo que?
-Eu escutei você e a mamãe falando sobre isso e eu me tranquei no banheiro.
-O que aconteceu depois nós já sabemos.
-E agora, você gosta de mim?
-Se eu gosto de você?
-É.
-Eu te amo.
-O que fez você mudar de opinião.
-Quando eu fui embora me dei conta de que estaria perdendo todo aquele carinho que você sempre me deu, só depois que eu fui embora percebi que você realmente gostava de mim.

Rehab-Capítulo 190

-Nós precisamos conversar.
-Pode falar.
-Eu sei que você não lembra de muita coisa, mas eu preciso ser sincera.
-Continua...
-Any, você sempre gostou muito de mim, sempre gostou de ter a minha companhia  quando era criança, mas eu não podia dizer o mesmo.
- Você não gostava de mim.
-Basicamente isso.
-Eu nunca gostei de ter que cuidar de  você, de ter que ficar o dia inteiro com você. Isso me irritava.
-Não era mais fácil ter falado isso para alguém?
-Eu tentei, mas ninguém me escutava.
-Isso é ruim.
-A mamãe era muito ocupada e quando ela parava para descansar não dava atenção  para ninguém, o papai sempre estava viajando e a Nathaly, ah esquece ela.
-Você foi embora por minha causa?

Rehab-Capítulo 189

Algumas coisas começaram a fazer sentido.
-Isso parece fazer sentido, mas eu ainda não lembro de nada.
-Eu falei que não iria adiantar.
-Por que você não me fala o que aconteceu?
-Agora não.

Fiquei mais alguns dias internada e depois pude voltar para casa.
Era estranho, mas ao mesmo tempo interessante. Eu lembrava de todas as pessoas, mas não me lembrava de nada de onde eu morava e do que aconteceu.
Aos poucos eu fui me lembrando de algumas coisas, com ajuda da minha família, mas só lembrava de coisas boas.
Uma vez, eu estava no meu quarto e me lembrei do que aconteceu. Depois de ter ouvido uma conversa da minha irmã com a minha mãe, me tranquei no banheiro. Lembro de ter tomando alguma coisa e ter batido a cabeça enquanto desmaiava. Então era por isso que a minha testa estava doendo.
Mas por que eu fiz isso?
-Posso entrar? - a Alice perguntou.
-Você meio que já fez isso? - ela já tinha entrado no quarto.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 188

-Não se preocupa.
Eles fizeram o que eu pedi.
-Você está melhor? - a Alice perguntou.
-Você sabe o que aconteceu?
-Eles me disseram que você não lembra de nada.
-Sabe?
-Mais ou menos.
-Não mente para mim.
-Mais do que eu já menti.
Os meus pais olharam desesperados para ela.
-Do que você está falando?
-De nada. - meu pai respondeu.
-Desculpa, mas eu não consigo fazer isso. - ela disse para os dois.
-O que você está pensado em fazer? - minha mãe perguntou.
-Falar a verdade.
-Não vai adiantar, ela não lembra de nada.
-Do que vocês estão falando?
-Você quer saber o que aconteceu com você? - a Alice perguntou.
-É.
-Você tentou se matar, de novo.
Meus pais quase surtaram quando ela falou isso.

Rehab-Capítulo 187

-Não sei do que você está falando.
-Melhor assim.
Olhei ao meu redor e vi a Nathaly dormindo em um sofá.
-Onde eu estou? - não reconheci aquele lugar.
-No hospital.
-Por quê? O que aconteceu? - não me lembrava de nada.
-Você sofreu um pequeno acidente.
Olhei novamente ao meu redor.
-Onde está a Alice? - senti falta dela.
-Ela já deve estar chegando.
-Por que a minha testa está doendo tanto?
-Você deve ter batido ela.
-Você também não sabe o que aconteceu?
-Menos perguntas, você precisa descansar.
-Sua mãe tem razão. - meu pai voltou.
Por algum motivo eles estavam estranhos comigo, eu precisava descobrir porquê.
Minha mãe levou o meu até um canto para eles poderem conversar, depois disso ele saiu de novo, mas não demorou muito.
-A Alice está vindo.
-Me avisem quando ela chegar.

domingo, 25 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 186

-Alice, você nunca gostou dela.
-Isso não é verdade.
-Você só cuidava dela porque era obrigada.
-Isso até pode ser verdade.
-Então você admite que não gostava dela?
-Sim.
Nunca pensei ouvir isso da Alice. Saí dali e me tranquei no banheiro.
-Anahy, sai do banheiro. - meu pai gritou.
Não respondi.

Acordei sem saber onde estava.
Senti uma dor muito forte na testa.
Os meus pais se assustaram ao me verem acordar.
-O que aconteceu? - eu perguntei.
-Você não lembra?
-Não.
Minha mãe parecia estar um pouco mais aliviada.
O celular do meu pai não parava de tocar, ele saiu para atender.
-As vezes eu acho que você faz isso para atingir a gente.

Rehab-Capítulo 185

-Vai?
-Sim.
-Espero que vocês sejam felizes.
-Obrigado.
-Agora eu preciso arrumar as minhas malas.
-Se precisar de ajuda é só me chamar.
-Obrigada, se eu precisar chamarei.
Entrei no me quarto. Comecei a jogar tudo que sobrou dentro das malas, nunca pensei que tinha tantas coisas guardadas. Demorei para guardar tudo, fiquei aliviada quando fechei as malas.
-Você quer ajuda para levar tudo até o carro? - meu pai perguntou.
-Sim.
Um pouco antes de chegarmos na sala, parei.
-O que foi?
-Eu quero escutar o que elas estão falando sobre mim.
-Não vale a pena.
-Espera.
Me aproximei mais um pouco.
-Tem certeza que você quer levar ela nessa viagem? - minha mãe perguntou para Alice.
-Tenho.
-Eu ainda acho melhor a internação.
-Você quer se livrar dela.
-Você também.
-Eu nunca disse isso.

sábado, 24 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 184

-Não está mais aqui quem  falou.
-Eu só quero que você não se arrependa.
-Estou começando a achar que você não quer me levar na viagem.
-Não é isso.
-Eu não vou me arrepender.
-Espero que não.
-Pode ter certeza.
-Faz o seu o lanche, porque daqui a pouco nós vamos sair.
-Não vou demorar.
Fiz o meu lanche. Troquei de roupa. E então saímos.
Chegamos pouco tempo depois.
-Mudou de ideia? - minha mãe perguntou.
-Não, só vim pegar o resto das minhas coisas.
-Fique à vontade, você já sabe o caminho.
Enquanto ia até o meu quarto, percebi várias malas. Perguntei para o meu pai o que significava aquilo.
-Por que todas essas malas?
-Eu vou embora.
-Você não pode estar falando sério.
-Mas estou.
-Por que fazer isso?
-Não tem mais sentido eu continuar aqui.
-Você vai morar com ela?
-Como você sabe?

Rehab-Capítulo 183

Percebi que a Alice já havia chegado, provavelmente ela estava em seu quarto.
Fiquei muitas horas sem comer, o meu estômago já começava a reclamar. Fui até a cozinha.
-Estou preparando um sanduíche para mim, quer que eu faça um para você? - o Bernardo perguntou.
-Por favor.
-A Alice me falou da sua escolha.
-E o  que você achou?
-Ela tinha quase certeza que você escolheria Los Angeles.
-A Alice falou.
-Como está o seu inglês?
-Razoável, acho que eu consigo sobreviver lá.
-Não vai ser tão fácil assim.
-Eu sei, mas eu prefiro imaginar o melhor.
-Só toma cuidado para não se iludir e depois se decepcionar.
-Eu vou tomar o máximo de cuidado para isso não acontecer.
-Também não se esqueça que lá é tudo diferente. E você também estará longe da sua família.
-Eu não vou esquecer isso.
-Bernardo, para de assustar ela - a Alice entrou na cozinha.
-Eu não estou assustando ninguém.
-Imagina se estivesse.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 182

-Queria te pedir uma coisa.
-O que?
-Me passa a matéria de hoje.
Peguei os meus cadernos e entreguei para ela.
-Obrigada, mais tarde eu devolvo.
-Tá.
Ela foi embora e eu continuei olhando os catálogos e fazendo as anotações.
Depois de muito tempo e de várias xícaras de café, decidi qual seria o lugar. Nós iriamos morar em Los Angeles, eu estava feliz com essa decisão.
Fui comunicar a Alice sobre a minha escolha.
-Decidi.
-Qual foi o lugar?
-Los Angeles.
-Eu sabia.
-Você me conhece muito bem.
-Precisamos comprar as passagens e providenciar os seus documentos e a autorização.
-E eu preciso pegar o resto das minhas coisas.
-Vamos passar lá mais tarde?
-Pode ser.
-Mas agora eu preciso sair
-Tudo bem.
A Alice saiu.
Eu precisava descansar um pouco, me joguei no sofá e liguei a televisão. Acabei dormindo.
Acordei um pouco mais disposta do que antes.

Rehab-Capítulo 181

Peguei o meu celular e vi várias ligações perdidas da Roberta. Retornei.
-Onde você estava?
-Eu saí com a minha irmã e esquece o celular.
-O que você está fazendo?
 Olhei para os papéis antes de responder.
-Nada.
-Posso ir na sua casa?
-Pode, mas anota o meu novo endereço.
Passei o endereço para ela e desliguei o celular.
Voltei a ler os catálogos e fazer algumas anotações.
A Roberta chegou e veio direto ver o que eu estava fazendo.
-Para que você está fazendo isso?
-Só estou lendo.
-Sei. -  ela pegou as lista com o nome dos lugares.

New York
Manhattan
New Jersey
Texas
Washington
Los Angeles

-O que é isso?
-Nada.
-Como nada? Parece que você está escolhendo uma cidade.
-Talvez eu faça uma viagem de intercâmbio e por isso estou pesquisando. - não tive coragem de falar a verdade.
-Você tem algum lugar preferido?Quando tempo você vai ficar lá?
-Não e não sei.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 180

-Nós precisamos conversar.
-Sobre o que?
-Eu passei a manhã inteira conversando com o Bernardo. Nós vamos viajar.
-E vocês vão me levar?
-Lógico que sim.
-Nós vamos para Newcastle?
-Mudamos o destino da viagem.
-Para onde vamos agora?
-Para alguma cidade dos Estados Unidos.
-Vocês ainda não decidiram?
-Precisamos da sua opinião.
-Vocês já viram alguma cidade?
-Sim, depois eu te passo tudo.
-Certo.
Almoçamos tranquilamente e depois voltamos para casa. Só depois que chegamos, lembrei que não perguntei o essencial.
-E quando nós vamos?
-Provavelmente semana que vem.
Ensaiei uma reação de susto, mas seria muito melhor assim.
-Será que você poderia me mostrar o que você separou sobre as cidades?
-Vamos até o meu quarto.
Acompanhei a Alice, ela me entregou vários catálogos da agência de viagem.
-Eu vou dar uma olhada.
-Escolhe com carinho.
-Com certeza.
Levei tudo para o meu quarto e coloquei em cima da cama e fui tomar um banho. Depois peguei todos os catálogos e fiz uma listas das cidades em um bloco de notas.

Rehab-Capítulo 179

Abracei ela e fechei os olhos. Era como se eu tivesse voltado a ter cinco anos de idade, nessa época eu não fazia nada sem a minha irmã mais velha, passei um bom tempo dependendo dela, até a Alice sumir e eu ter que aprender a me virar sozinha, sem ela.
Ah, como eu queria voltar a ter cinco anos de idade e perceber que isso não passou de um simples pesadelo.
Abracei a Alice ainda mais forte e dormir, me sentindo segura como nunca havia me sentido antes.

-Ei,acorda. Você vai chegar atrasada na escola.
-Já estou levantando. - quase cai, esqueci que estava no sofá.
Corri para o banheiro, tomei um banho rápido. Por sorte, não esqueci de colocar o uniforme da escola na mala. Fui tomar café.
-Conseguiu dormir?
-Um pouco. Você dormir aqui também?
-Sim.
Tomei o meu café e saí.
Cheguei um pouco atrasada.Não encontrei a Roberta, então enviei uma mensagem para ela.

Por que você não veio para escola?

Ela respondeu com apenas uma palavra:

Cólica.

Enfim, eu teria que aturar mais um dia de aula sem ela.
Parecia uma eternidade, mas acabou. Voltei para casa e a minha irmã já estava me esperando.
-Nós vamos almoçar em um restaurante.
-Tudo bem.
Nos dirigimos até o restaurante.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 178

-Essa história é muito mais complicada do que você pensa.
-Como se eu estivesse pensando em alguma coisa.
-Você está pensando em  algo.
-Me diz, porque nem eu sei o que é.
-Quem sabe dormir um pouco não te ajuda a descobrir.
-Dormir é outro problema.
-É só você tentar.
-Tentar parece não ser o suficiente quando se espera algo.
-O que você está esperando?
-Também não sei.
-Que tal irmos esperar na sala, assistindo alguma coisa?
-Pode ser.
Fomos para sala e ligamos a televisão. Deitei do lado da Alice, como eu fazia antigamente.
-Eu sinto sua falta.
-Eu estou aqui.
-Mas não estava.
-Eu não pensei muito antes de ir embora.
-Não precisava pensar muito, só precisava pensar em mim.
-Eu sei que eu te magoei. E mesmo assim você está aqui comigo.
-Tem como ficar magoado com uma pessoa que a gente ama?
-Tem?
-No início sim, mas ai a gente percebe que junto com a magoa vai um pedaço da gente.
-Deve ser por isso que eu nunca consegui me sentir completa.
-Promete que nunca mais vai me abandonar. Eu preciso de você.
-Prometo, porque eu também preciso de você.
-Te amo.
-Eu também.

Rehab-Capítulo 177

-Você não acha que está um pouco frio para ficar com a janela aberta?
-O frio não existe.
-Vamos até a cozinha.
a Alice esquentou um pouco de leite e depois me entregou.
-Por que você não está dormindo?
-Basicamente porque estou acordada.
-O que está te tirando o sono?
-Por que você se preocupa tanto comigo?
-Porque você é minha irmã.
-Você e eu sabemos que não.
-O que  você sabe sobre isso?Nada.
-Que você é minha prima.
-Quem te falou isso?
-Eu sem querer ouvi você e o Bernardo conversando.
-Então você acha que sabe o que está acontecendo?
-É com a mãe da Roberta que o papai está se envolvendo?
-Essa história é muito delicada, não é o que parece.
-Como não?
-Eu não posso te falar.
-Por quê?
-Por causa da Roberta.
-Por favor, não esconde mais nada de mim.
-Desculpa, mas isso não tem nada a ver com você.
-Eu vou ser obrigada a falar com a Roberta.
-Vai ser um erro muito grande.
-Por quê?
-Só me promete que você não vai fazer isso.
-Me dê um motivo.
-Você vai fazer a sua melhor amiga sofrer. Vale a pena?
-Olhando por esse lado não.


Rehab-Capítulo 176

Abracei ele com força e deixei os meus devaneios me levarem para longe dali. Fiquei viajando por um bom tempo, só voltei ao normal quando a minha irmã me chamou.
-Vai dormir no seu quarto.
Fui para o quarto, ela me acompanhou.
-Você está bem?
Balancei a cabeça positivamente.
-Boa noite. - a Alice me deu outro beijo e saiu.
Consegui dormir sem muitas dificuldades, mas não por muito tempo. Por várias vezes relembrei a conversa que escutei da Alice com o Bernardo.
Acordei suando e tremendo. Levantei e sentei na ponta da cama e tentei me situar. Precisava de um pouco de aguá.
Saí e encontrei um corredor pouquíssimo iluminado, quase totalmente escuro.  Fui até a cozinha e peguei um copo com água.
Escutei o vento batendo na janela, me aproximei e abri a cortina. Fiquei admirando o vento bater nas árvores, ver aquela cena me fez rir. A minha vida estava idêntica as folhas das copas daquelas árvores, sendo chacoalhadas contra a sua vontade e se desprendendo de seus galhos. Voando sem rumo, voando para longe.
Abri a janela para poder sentir o vento, para ver se ele podia levar a minha angustia para bem longe. Me perdi novamente nos meus devaneios.

sábado, 17 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 175

-O que está te deixando assim?
-Se eu soubesse já teria resolvido.
Ela me abraçou, me deu um beijo e saiu.
Esperei um pouco e fui para sala.
-Aonde você pensa que vai? - o Bernardo me segurou.
-O que a Alice está fazendo?
-Está terminando alguns trabalhos e você já atrasou ela o suficiente.
-Dar trabalho para as pessoas é a minha profissão.
-Não é verdade.
-O que você sabe sobre isso?
-Que você não age desse jeito porque quer.
-Não entendo porque as pessoas acham o contrário.
-Porque parece o contrário.
-Já deveria ter acostumado com isso.
-A Alice gosta muito de você. Não deixa esse carinho e cuidado que ela tem por você serem em vão.
-Eu tento,  mas as vezes acho que não vou conseguir.
O Bernardo me abraçou e fez eu me deitar perto dele.
-As vezes eu acho que você só precisa de amor e carinho.
-Queria tanto que fosse só isso.
-Agora eu entendi porque a Alice te trouxe para cá.
-Por quê?
-Você vai ter que descobrir sozinha.

Rehab-Capítulo 174

Saí dali antes que eles me vissem.
Eu ouvi bem?Ela só me trouxe porque não me queriam mais lá. Estava indo pegar as minhas coisas quando os dois me pararam.
-Você não vai jantar conosco?
Eu tinha duas opções: falar que eu escutei a conversa ou esperar e elaborar um plano melhor. Escolhi a segunda opção.
-Sim.
-Então vamos, antes que a comida esfriei.
Acompanhei eles até a cozinha.
O jantar estava maravilhoso, só o clima que não.
-Hora de criança ir dormir.
-Como eu não sou mais criança.
-Te dou cinco minutos para você ir dormir.
-Só se você me falar o que você vai fazer depois que eu for dormir.
-Eu digo.
-Pode começar.
-Vou terminar os trabalhos que não consegui terminar porque eu estava mandando uma adolescente de quinze anos ir dormir.
-Depois dessa eu vou.
-Ótimo.
-Mas eu não estou com sono.
A Alice respirou fundo e me empurrou até o quarto.
-Você sabe como irritar uma pessoa.
-Quando eu quero.
-Vai dormir.
-Mas eu realmente estou sem sono.

Rehab-Capítulo 173

-Foi.
-Fala sério.
-Isso tudo não está fazendo bem para vocês dois.
-Mas ela é minha irmã.
-Tecnicamente eu diria que não, ela é sua prima.
-Você gosta de complicar as coisas.
-Eu sou realista.
-Eu não acho justo o que a Amanda está fazendo.
-Isso não é nada em comparação ao que ela já fez.
-Eu ainda não acredito como ela teve capacidade de fazer um aborto.
-Do mesmo jeito que ela tem capacidade de rejeitar a própria filha.
-Por que ela faz isso?
-É simples.
-Pra você.
-Ela queria ter apenas uma filha e acabou vindo duas. A primeira que nasceu era a filha que ela queria que nascesse, no caso seria a Hilary e a Any seria a filha indesejada.
-Já entendi. Você é quase um psicopata.
-Você não achava isso quando me sequestrou do hospital psiquiátrico.
-Vou te devolver.
-Não faz isso. Gostei daqui.
-Imbecil.

Rehab-Capítulo 172

Percebi o meu pai agradecendo a Alice por alguma coisa.
-Vamos?
-Sim.
Entramos no carro e em poucos minutos chegamos na nova casa da Alice.
-Vou te mostrar onde será o seu quarto.
Segui a minha irmã até um dos vários quartos que a casa tinha.
-Espero que goste.
-Obrigada.
Diferente do quarto que havia deixado, esse não tinha lembranças e a sua energia estava limpa e pura.
Joguei a minha mala em um canto e a mochila com o material da escola em outro e saí.
Comecei a andar pelos corredores da casa. Como sempre eu estava no lugar errado, na hora errada. Ouvi duas pessoas conversando e parei  escutar.
-Alice, você acha que vai conseguir esconder isso da menina por quanto tempo?
-O máximo que eu conseguir.
-Eu ainda acho melhor falar tudo de uma vez.
-Como?
-Seus pais vão se divorciar, seu pai vai ir morar com a mãe da sua melhor amiga e sua mãe não quer saber de você.
-Essa foi a forma mais simples que você encontrou?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 171

-Então é o que?
-Eu quero ficar mais próxima para poder cuidar de você.
-E a viagem?
-Talvez não aconteça.
-E eu vou ter que continuar aqui?
-Só se você quiser.
-Como assim?
-Se você quiser pode ir morar comigo.
-Sério?
-Sim.
-Quando eu posso ir?
-Hoje mesmo.
-Posso ir arrumar minha mala?
-Pode.
-Vem me ajudar.
Fui até o meu quarto e coloquei algumas roupas dentro de uma mala pequena.
-Não vou levar tudo de uma vez.
-É melhor assim.
E também peguei o meu material da escola.
Depois de colocar tudo no carro da Alice, fui falar com o meu pai.
-Não tem problema de eu ir?
-Não, filha, pode ir com a sua irmã.

Rehab-Capítulo 170

-É melhor eu ir.
-Até mais.
Me despedi dela e voltei para casa. Logo quando cheguei, minha irmã me abordou.
-Avisa quando for sumir.
-Não vai ter graça.
-Onde você estava.
-Na casa da Roberta.
-Menos mal.
-E você, não vai voltar para casa?
-Isso é outra coisa que nós precisamos conversar.
-Não gosto quando você fala assim.
-Vem comigo.
Fomos até o antigo quarto dela. Eu me sentia bem ali, eu tinha boas lembranças daquele lugar.
-O Bernardo e eu resolvemos nos mudar.
-Vocês vão vir morar nesse purgatório?
-Não, mas vamos morar perto daqui.
-Vocês já estão se entendendo?
-Agora sim.
-E por que vocês vão se mudar?
-Por nós dois, para eu poder ficar mais próxima de você. São tantos motivos.
-Você quer me vigiar.
-Não é isso.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 169

A Roberta acompanhou elas até a porta.
-Gostou?
-Claro que sim.
-Eu fico feliz quando te vejo sorrir.
-Ah. Para.
-É sério. Ver você sorrir é raro, quase impossível.
-Eu nem percebi isso.
-Vamos parar. É para ser um momento feliz.
-Perfeito. Vamos pedir uma pizza porque eu estou morrendo de fome.
-Certo.
-Você paga.
-Você é folgada.
Ela ligou para pizzaria. E enquanto esperávamos, assistimos um filme.
-A pizza chegou.
-Que demora.
-Tem quando tempo que nós não fazemos isso?
-Nem lembro.
-Pode ter certeza que esse é o melhor de todos.
-Sem dúvidas.
Comemos a nosso pizza e terminamos de assistir o filme. Quando acabou, percebi que já eram nove da noite.

Rehab-Capítulo 168

Uns dez minutos depois que chegamos a  campainha tocou, ela foi abrir a porta. Pra minha surpresa tinham acabado de chegar duas pessoa que eu imaginei nunca mais rever.
-Amanda e Jenny. Quando tempo. - corri para abraçar elas.
-Acho que faz mais de anos. - a Jenny disse.
-Por que você não me falou delas? - perguntei para Roberta.
-Eu  encontrei a Amanda esses dias, nem deu tempo de conversar.
-Verdade.
-Qual foi a última vez que ficamos reunidas?
-No último dia de aula da sétima série. - respondi.
-Faz muito tempo.
-Tanta coisa aconteceu. - a Jenny disse. - Nem sei por onde começar.
-Pelo começo. - a Roberta falou.
Ficamos  conversando durante horas. Eram muitos assuntos para serem colocados em dia.
-Está ficando tarde.
-Precisamos ir.
-Temos que fazer isso mais vezes.
-Com certeza.
-Tchau. Até a próxima.

Rehab-Capítulo 167

-O que você quer fazer?
-Não sei.
-Ótimo. Só não se esqueça que eu não sou vidente para adivinhar o que você quer.
-Por que você não dá uma dica de algum programa legal?
-É que eu não sei de nenhum.
-Ainda fala de mim.
-Tive uma ideia.
-Lá vamos nós.
A Roberta pegou o celular e  enviou uma mensagem para alguém.
-Para quem você enviou aquela mensagem?
-Surpresa.
-O que nós vamos fazer?
-Vamos para minha casa.
-Sua mãe está lá.
-Não.
-O que você está querendo armar?
-Nada de mais.
-Eu te conheço bem demais para acreditar nisso.
-Vamos.
Fomos até a casa dela. A Roberta continuava a me esconder o que estava fazendo.

domingo, 11 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 166

-Será?
-Sei. A gente não consegue se concentrar em nada, não sabe o que fazer, fica totalmente perdida.
-Exatamente.
-Eu me senti assim quando os meus pais se divorciaram.
-Como foi a sua reação?
-Como eu era muito nova quando isso aconteceu eu fiquei muito assustada, em um momento eu morava com os meus pais no outro eu me vi morando só com a minha mãe. Depois, eu comecei a ficar revoltada, porque todos os meus amigos moravam com os pais e só eu que tinha pais separados.
-E como você superou tudo isso?
-Eu comecei a fazer terapia e depois que o meu pai casou com a Taís, não precisou mais, eles começaram a me ajudar.
Fiquei imaginando como seria se os meus pais se divorciassem.
-Acho que tudo isso não te ajudou muito.
-Não sei.
-Você precisa descansar.
-Péssima ideia, já descansei demais nos dias que fiquei internada.

Rehab-Capítulo 165

-Eu perguntei se ela iria se divorciar.
-O que ela disse?
-Se interessou no que eu tinha para dizer, não é?
-Termina.
-Que não, mas isso pode acontecer.
-Eu sabia.
-Ela só não falou porquê.
-Eu sei.
-Eles estão brigando muito, se desentendendo. Mas por que todo esse interesse?
-O meu pai gosta dela.
-Você está brincando.
-Não. Eu não já te falei isso?
-Não lembro.
-Eu queria te perguntar uma coisa.
-Pergunta.
-Se eu fosse para uma clinica você iria me visitar? - não sei de onde essa pergunta saiu.
-Any, que pergunta é essa?
-Sim ou não?
-Lógico que sim. - ela respondeu. - Mas por que você fez essa pergunta?
-Sei lá, foi involuntário.
-Não foi, não. Alguma coisa está te perturbando.
-Acho que sim.
-O que está te deixando assim?
-Tudo, a minha cabeça está confusa.
-Imagino. Eu sei muito bem com é isso.

sábado, 10 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 164

-Desculpa pela demora. - minha irmã tinha acabado de chegar.
-Não tem problema.
-Depois a gente termina a nossa conversa. - eu disse para Taís.
-Tudo bem.
-Vamos para o escritório do meu pai.
-Vamos.
Elas foram até o escritório.
Peguei o meu celular e mandei uma mensagem para Roberta.

Preciso falar com você.

Ela respondeu:

Vamos até a praça?

Respondi:

Estou indo.

Fui até a praça, que fica perto da minha casa e esperei a Roberta chegar. Ela não demorou muito.
-O que você quer falar?
-A Taís está na minha casa.
-Você me tirou de casa só para isso?
-Eu sei de algo que é do seu interesse.
-Então fala.
-Não sei se devo.
-Fala logo.
-Não vou falar, não é certo.
-Anahy, fala!
-É sobre ela e o seu pai.
-Já começou agora termina.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 163

-Não. Não agora.
-Isso pode acontecer?
-Infelizmente sim.
-Por quê?
-O divorcio pode aconteceu com qualquer pessoa.
-Essa ideia ainda me assusta.
-De divorcio?
-Também, mas é a ideia de ver você e o meu pai se divorciando.
-Você acha que nós dois podemos ficar juntos?
-Acho.
-E isso te assusta?
-Sim. Você madrasta da minha melhor amiga.
-Eu já acho isso improvável.
-Por quê? Se vocês se amam.
-Porque se fosse para aconteceu algo entre nós dois, já teria acontecido.
-Você só não quer assumir que você quer que aconteça algo.
-Você tem uma imaginação muito fértil.
-Taís, você sabe que eu não estou mentindo.
-Sei.
-Isso quer dizer que eu tenho razão?
-Sim.
-Então você gosta...
-Você sabe que sim, então não termina a pergunta.

Rehab-Capítulo 162

Saí do quarto e fui para o jardim. Um pouco de ar fresco faria bem.
-Não imaginei te encontrar aqui? - a Taís disse.
-Meu pai não está.
-Eu sei, não vim falar com ele.
-Com quem você veio falar?
-Com a Alice.
-Ela também não está.
-Mas já deve estar chegando.
-Vocês vão falar sobre o que?
-Sobre alguns assuntos pendentes.
-Será que você pode me falar quais assuntos são esses?
-Não.
-Só um pouquinho.
-Não.
Fiquei pensando no que a Roberta me falou na escola.
-Você vai se divorciar?
-Quem te falou isso?
-A Roberta.
-Ela tem escutado muita coisa que não deve.
-Você vai?

domingo, 4 de novembro de 2012

Rehab-Capítulo 161

-Como foi na escola?
-Acho que bem.
-Que bom.
-Que história foi aquela de viagem?
-Nós achamos melhor não contar nada para Roberta.
-Mas precisava arrumar uma mentira tão ruim?
-Não reclama.
-Tudo bem.
-Vai almoçar.
-Você não vai almoçar também?
-Não, estou sem fome.
Fui para cozinha.
Eu não estava com muita fome, por isso fiz uma refeição leve, para falar a verdade eu não comi quase nada.
Depois que terminei, fui para sala. Tinha um pacote para mim em cima do sofá. Abri. Tinha um livro dentro da caixa junto com um bilhete. Acho que a pessoa que mandou aquele pacote me conhece muito bem, pois ela sabia que eu queria ler aquele livro há muito tempo.
                                           
"Espero que goste.
Boa leitura."

Ass: Uma pessoa que gosta muito de você.

Era o que dizia o bilhete.
Ótimo! Séria um admirador secreto? Era só o que faltava.
Levei o pacote até o meu quarto.
Ah. Esse quarto para mim já não significa mais nada. Simplesmente não queria ficar mais naquele lugar. Me fazia mal ficar ali. As lembranças que ficaram passaram a me atormentar.
                                                   

Rehab-Capítulo 160

-Você e sua mãe se entenderam?
-Sim, até porque eu não vou poder continuar morando com a Taís.
-Aconteceu alguma coisa?
-Acho que ela  e o meu pai vão se divorciar.
-De onde você tirou isso?
-Eu escutei eles falando sobre isso várias vezes.
-Será que você não se confundiu?
-Não, faz tempo que os dois não estão se entendo muito bem.
-Isso está muito estranho.
-Por quê?
-Eu imaginei algumas coisas sem importância.
-A Taís me falou que você vai fazer tratamento para depressão.
-Vou tentar.
-Isso já é um bom começo.
-É isso ou ir para clinica de reabilitação.
-Você pode ir para reabilitação?
-Se tudo continuar como está, sim.
-Eu espero que você melhore.
-Eu também.
-Temos que voltar.
-Eu perdi muita matéria?
-Sim, mas você é irmã da professora de inglês.
-Nem lembra disso.
Fomos para sala e esperamos a aula começar.
Para minha sorte, todas as aulas passaram rápido e finalmente, pude voltar para casa.
Logo quando cheguei, não tinha ninguém, a casa estava quieta.
Fui tomar um banho, talvez depois que eu terminasse, alguém já teria chegado.Eu tinha razão, depois que sai encontrei a Nathaly.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 159

-Roberta, eu sei disso.
-Ainda bem.
-Jurá que você vai ficar assim?
-Você quer que eu fiquei como depois de saber que a minha melhor amiga tentou se matar.
-Eu te entendo.
-Parece que não.
-Eu percebi que isso não vai me ajudar em nada.
-Quase foi tarde
-O que aconteceu nesses dias que eu fiquei internada?
-Nada que te interesse, mas para mim...
-Conta o que aconteceu.
-Não, afinal, você só se importa com você mesma.
-Para com isso.
-É verdade.
-Me fala  o que aconteceu.
-Depois que você me falou que eu sou parecida com a professora de Ed. Física, eu comecei a conversar com ela.
-Que legal.
-Você tinha razão, nós temos muitas cosias em comum.
-Vocês são muito parecidas.
-Mas a minha mãe  também implica muito com ela.
-Sua mãe implica com todo mundo.
-Isso é verdade.

Rehab-Capítulo 158

-Você tem tudo que uma pessoa deseja. Não joga isso fora.
-Eu acho que eu sou meio burro.
-Tenha certeza disso. Agora some daqui.
Ele saiu.
Voltei para escola numa segunda-feira. A primeira pessoa a vir falar comigo foi a Roberta.
-Como foi a viagem? - ela me perguntou, meio contente.
-Que viagem?
-A que a Nathaly disse que você teve que fazer.
-Foi uma quase viagem só de ida para inferno.
-Como assim?
-É melhor a gente ir para um lugar mais calmo.
Fomos até o nosso cantinho. É um lugar no pátio da escola, mais afastado de tudo, onde as pessoa tinham medo de ir.
-Mentiram para você.
-Ainda não tô entendendo.
-Eu fiquei internada.
-Por quê?
Mostrei meus pulsos para ela.
-Me diz que não é o que eu estou pensando.
-Se você está pensando que eu tentei me matar, é isso sim.
-Você é mesmo uma idiota.

domingo, 28 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 157

-Por isso o susto dele.
-A partir desse dia tudo está desmoronando.
-Ele vai com você nessa viagem?
-Não.
-Por quê?
-Quero me afastar dele.
-Por que fazer isso se você gosta tanto dele?
-De onde você tirou isso?
-Suas palavras podem mentir, mas os seus olhos não.
-O que você sugere que eu faça?
-Fala a verdade?
-Qual?
-Que você ama ele.
-Posso saber qual é o idiota que você ama? - o Bernardo apareceu no meu quarto.
-Você. - ela respondeu. - Você se torna ainda mais idiota por não ter percebido isso. - ela saiu do quarto
-Ela gosta de mim?
-Ela é sua esposa.
-Ela te contou tudo?
-Ela nunca teria feito isso se não te amasse. Parece que você não conhece ela muito bem.
-Acho que eu não queria acreditar que isso fosse verdade.
-E por quê?
-Seria o pior erro da vida dela.
-Gostar de você?
-Gostar de um idiota.
-Eu só  te falo uma coisa.
-O que?

Rehab-Capítulo 156

-Acho que eu não vou conseguir esconder isso por mais tempo.
-Então é verdade o que ela disse?
-Não sei por onde começar.
-Pelo início.
-Tudo começou na faculdade. Eu estava cursando moda e o Bernardo computação gráfica. Graças a amigos em comum viramos amigos, com pouco mais de dois meses eu já sabia tudo sobre a vida dele.
-Por que você mentiu para o papai? Você nunca cursou computação gráfica.
-Então, ele me contou que a avó dele deu uma empresa para ele, isso era o sonho dele. Mas para o Bernardo dirigir essa empresa ele teria que casar.
-Foi por isso que você casou com ele?
-O nosso casamento foi feito através  de um contrato. Eu só fiz isso para ajudar ele, o Bernardo é o meu melhor amigo.
-Não acredito que você fez isso.
-O combinado era que depois de seis meses nós pediríamos o divórcio.
-Mas isso não aconteceu.
-A avó dele disse que se o Bernardo se divorciasse ele perderia a empresa. Ele me implorou para continuar casa com ele.
-Como você ama ele, você aceitou.
-Quem disse que eu amo ele?
-Se você não amasse ele, esse casamento nunca teria acontecido.
-Por causa de um descuido, eu fiquei gravida. Ele não sabia de nada até aquele jantar.


sábado, 27 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 155

Depois de mais ou menos duas horas de jogo...
-Xeque-mate. - eu ganhei a partida.
-Vamos jogar mais uma?
-Agora não dá, o médico te deu alta. - a Alice disse, depois que entrou no quarto.
-Vamos ter que jogar em casa.
-Pode ser.
Peguei os livros que a Alice deixou e coloquei na caixa do jogo de xadrez.
Fomos até o estacionamento onde estava o carro do meu pai. O caminho de volta para casa seria um pouco longo.
Depois de quase uma hora, chegamos em casa. Eu estava exausta.
Logo quando entrei, encontrei a minha mãe na sala, junto com a minha irmã.
-Pensei que você iria ficar mais alguns dias lá.
-Eu pensei que fosse sua filha.
-Pena que a auto mutilação não de deu um pouco de educação.
-Do que você está falando? Foi você que me educou.
-Alguém poderia ter evitado  isso.
-Agora eu entendi com quem ela aprendeu a ser desse jeito.
-A ser idiota acho que eu aprendi com você. - não devia ter falado isso.
-Vamos. Você precisa aprender a hora de sair de cena. - a Alice falou enquanto me empurrava até o meu quarto.
-Me explica uma coisa?
-O que?
-O que está acontecendo com você? Por que você e a Nathaly brigaram daquele jeito?

Rehab-Capítulo 154

-Ainda não entendi.
-Nós tivemos uma conversinha ontem.
-Que pelo jeito foi boa.
-Muito.
-Eu acabei de conversar com o médico.
-O que ele disse?
-Você vai ter alta no fim da tarde. E que você não vai ter mais do que duas cicatrizes.
-Mais duas. - eu disse.
-Ele recomendou que ela faça tratamento psiquiátrico.
-Lá vamos nós.
-Eu já marquei uma consulta com a psicologa e também falei com o psiquiatra. Você vai continuar tomando os remédios.
-Quem é a psicologa?
-A Taís.
-Ela mudou de ideia?
-Sim.
-Você que vai levar ela?
-Pelo visto sim.
-Já posso me arrumar?
-Pode.
Troquei de roupa. E chamei o meu pai para jogar xadrez.
-Vamos jogar?
-Sim.
Como sempre, meu pai ficou com as peças brancas e eu com as pretas. Acho que eu aprendi isso com ele.

Rehab-Capítulo 153

Acordei gritando. Acordei também o meu pai, que estava dormindo em uma poltrona. No mesmo instante em que acordei, a Alice entrou no quarto.
-O que aconteceu?
-Sonho ruim.
-Você tinha muitos pesadelos quando era criança.
-Não lembo disso.
-E acordava todo mundo.
-Também não lembro disso.
-Você era muito pequena quando isso acontecia.
-Tá explicado porque eu não lembro.
-Qual foi  o pesadelo?
-Eu sonhei que estava morrendo afogada.
-Mas não é isso que você quer?
-Foi bem diferente do que eu sempre imaginava.
-Sua imaginação mostrou o que você queria ver e não o que realmente aconteceria.
-Eu quase senti isso.
-Esquece isso. - meu pai disse.
-Dormiu bem? - ela perguntou.
-Eu não diria bem, diria feliz.
-Feliz?
-Acho que pela primeira vez ela escutou o que queria ouvir.

domingo, 21 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 152

-Eu sabia.
-Para ela também está sendo difícil.
-Pai, não precisa se esforçar tanto para mentir.
-Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça da sua mãe.
-Quando você vai pedir o divórcio?
-Eu desisti de me divorciar dela.
-Você só pode estar brincando. Por quê?
-Por causa de tudo que está acontecendo. Esse não é o melhor momento.
-É você que sabe.
-Agora eu quero só que você melhore.
-Você ajudaria muito lendo um desses livros que a Alice deixou.
-Qual deles?
-Você escolhe.
-A marca de uma lágrima. Pode ser?
-Pode.
Ele começou a ler. Como sempre fazia quando me colocava para dormir. Senti uma sensação muito boa, era como se tudo que havia acontecido antes, estivesse acontecendo agora. Não foi muito diferente de quando eu era criança, depois do segundo capítulo eu já estava dormindo.
Eu estava no fundo do mar,estava presa. Tentava nadar, mas não conseguia, tentava gritar, mas era impossível. Eu estava me desesperando. Eu estava morrendo, morrendo afogada...

Rehab-Capítulo 151

Meu pai também estava chorando.
-É tão duro saber que você que você quer jogar tudo isso fora.
-Tudo isso não pode e não vai ter sido em vão.
-Eu sei que não. Eu confio em você.
-Você sempre confiou, mesmo quando os outros já tinham desistido.
-Eu nunca vou desistir da minha garotinha.
-Só não esquece que ela cresceu.
-Isso está muito claro.
-Papai.
-O que foi?
-Eu te amo. Te amo mais do que tudo e todos.
-Eu também.
-E a Hilary?
-O que tem ela?
-Nós duas somos exatamente iguais.
-Pra mim não.
-O que ela significa para você?
-Isso agora não importa. Nós estamos falando de sobre você.
-O que eu significa para a mamãe?
-Isso você vai ter que perguntar para ela.
-Tenho certeza que ela não veio me visitar.
-Não coloca coisas na sua cabeça.
-Não menti para mim.
-Realmente, ela ainda não veio.

sábado, 20 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 150

-Quando vocês nasceram, eu estava viajando e logo que eu soube  fui para o hospital, mas para avisar a Amanda sobre o divórcio.
-Por que você mudou de ideia?
-Quando eu cheguei, em vez de eu ir até o quarto, fui primeiro ao berçário . E vi uma menininha chamada Anahy Taylor, perguntei para enfermeira  se eu podia pegar ela no colo e a enfermeira me trouxe aquela menininha. A menininha quando me viu começou a chorar e fez eu me sentir um idiota por ter feito  aquela menininha linda chorar, mas um idiota muito feliz, por saber que eu era o pai dela. Daquele dia em diante, decidi não deixar a minha menininha sozinha, não deixar ela sofrer, mas eu não fiz isso direito.
Quando eu percebi, já estava em prantos.
-Não chora. - ele disse enquanto secava as minhas lágrimas.
-A única idiota aqui, sou eu, por nunca ter percebido tudo isso.
-Você não é idiota, você é a  menininha que eu não soube cuidar direito.
-Como não? Você sempre esteve do meu lado quando eu mais precisei. No meu primeiro dia de aula  foi você que me aturou chorando porque eu não queria entrar na escola, foi você que me ajudou na minha primeira lição de casa, foi você que me ensinou a andar de bicicleta, foi você que esteve do meu lado no meu primeiro tombo, sempre foi você que me colocava na cama e contava histórias antes de eu dormir. Você me ajudou a construir essa pessoa que eu sou hoje. - acho que eu nunca fui tão sincera.

Rehab-Capítulo 149

Esperei a Alice sair, para poder dormir.
Fechei os olhos. E me imaginei no jardim da casa dela.
Realmente fiz o que ela falou, fiquei com os olhos fechados e quieta.
Depois de certo tempo, ouvi a porta se abrir, mas não quis ver quem era, continuei com os olhos fechado.
-Oi. - reconheci aquela voz. Era o meu pai. - Desculpa não ter vindo antes, para mim está sendo muito difícil saber que você está nesse estado e eu não poder fazer muita coisa.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
-É difícil ver aquela garotinha, que eu vi nascer, sofrendo.Eu não consigo me conformar.
Pela primeira vez, em toda a minha vida, vi o meu pai abrir o seu coração, dizer o que estava sentindo.
-Quando eu te vi pela primeira vez, percebi o porque da minha existência. Ser pai de uma garotinha linda. Que chorou quando meu viu pela primeira vez, que fez eu me sentir um grande idiota, mas o idiota mais feliz do mundo.
Não consegui conter o choro.
-Fiz de tudo para ser o melhor pai do mundo, mas não consegui. - a voz dele começou a ficar trêmula. - Ouviu minha pequenina, eu sei que você está acordada.
Abri os olhos e olhei fixamente para ele.
-Você é o melhor pai do mundo.
-O papai te ama.
-Eu também te amo.
-Quero que você melhore o mais rápido possível.
-A Alice me falou que eu salvei  seu casamento. Isso é verdade?
-Sim.
-Me explica isso direito.
-Quando eu conheci a sua mãe, ela já tinha adotado a Nathaly e a Alice, mas eu sempre considerei elas como minhas filhas.
-Eu não sabia disso.
-Mais ou menos um ano depois do nosso casamento, eu iria pedir o divórcio, mas a Amanda me disse que estava grávida. Então, resolvi adiar o divórcio para depois, depois que vocês nascessem.
-Mas você não fez isso.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 148

-Posso começar?
-Pode.
Fiz o meu primeiro movimento no tabuleiro. E logo após, a Alice fez o dela.
Não trocávamos nenhuma palavra durante o jogo.
Eu estava fazendo um esforço muito grande para me concentrar, mas não estava sendo fácil. Meus pensamentos estavam em qualquer lugar, menos naquele jogo.
-Xeque-mate. - a Alice venceu a partida.
-Foi justo.
-Você não estava conseguindo se concentrar.
-Eu sei.
Horas já tinham se passado.
-Já está muito tarde, você precisa dormir.
-Eu já dormi muito por hoje.
-Você não vai passar a noite acordada.
-Não sei vou conseguir dormir.
-Se você fechar os olhos e ficar quietinha, vai conseguir.
-Vou tentar.
-Boa noite. Até amanhã. - ela me deu um beijo no rosto.
-Você vai voltar?
-Vou.
-Vou te esperar.
-Espera dormindo.
-Tudo bem.

Rehab-Capítulo 147

-Eu lembro.
-Você é muito especial para ele.
-E por quê?
-Você fez o casamento da Amanda e do Jonas durar mais alguns anos.
-Eu?
-Sim.
-Isso não faz sentido.
-Para você pode não fazer sentido, mas para ele faz.
-Me explica isso direito.
-Não posso, até porque eu não sei de muita coisa, seria muito melhor você perguntar para ele.
-Ele não vem me visitar.
-O papai está aqui no hospital praticamente desde quando você foi internada.
-E por que ele não fica aqui, comigo?
-Para ele é muito difícil te ver assim, doente, frágil. Ele faz isso para não sofrer ainda mais.
-E eu que achei que ele não se preocupava comigo.
-Foi um erro seu achar isso.
Fiquei pensando por alguns instantes, enquanto arrumava o tabuleiro de xadrez. Até que, me perdi nos meus pensamentos.
-Vamos jogar? - perguntei para Alice.
-Pensei que você não fosse me fazer esse convite.
-Eu fico com as peças brancas.
-Você sempre escolhe elas.
-Isso nunca faz diferença.
-Lógico que não.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 146

-Não é por causa disso.
-É por quê?
-Eu quero ficar próxima de você, afinal, eu passei muito tempo longe.
-Não é só por causa disso.
-Eu tenho medo de te deixar sozinha.
-Aqui  não tenho como eu  fazer nada.
-Eu te conheço muito bem, você conseguiria fazer qualquer coisa.
-Até que eu conseguira.
-Termina de comer. - ela se levantou da cadeira e se aproximou da porta. - Já volto.
-Não demora.
A minha irmã voltou com uma caixa.
-O que é isso?
-Olha. - ela me entregou a caixa.
-Um jogo de xadrez.
-Me disseram que você sabe jogar.
-O papai me ensinou quando eu tinha seis anos.
-Pra mim também.
-Ele ensinou para todas as filhas?
-Não. - ela respondeu rindo. - O xadrez é a paixão do papai, ele só ensina o que sabe para quem mostra interesse pelo jogo.
-Isso aconteceu comigo e com você.
-Do mesmo jeito que eu o atormentei para ele me ensinar, você também o atormentou.

Rehab-Capítulo 145

-Você precisa descansar.
-Eu não quero ficar sozinha.
-Você não vai, a Nathaly e o Jonas estão ai. - pela segunda vez ela chamava o meu pai pelo nome.
-Você vai para sua casa?
-Mas eu voltou mais tarde ou amanhã de madrugada.
-Vou te esperar.
-Deixei alguns livros na comoda ao lado da sua cama, lê um pouco.
-Tá.
-Se cuida. - ela me deu um beijo na testa.
Virei para o lado com muita dificuldade. Os meus olhos queriam fechar a qualquer custo. Acho que os remédios estavam fazendo efeito além do necessário.
Queria que esses dias que eu tivesse que ficar internada passassem o mais rápido possível.
Dormi.
-Ei, acorda. - ouvi alguém dizer.
-Só mais cinco minutinhos. - eu disse, ainda dormindo.
-Any, acorda. - percebi que era a voz da Alice.
-Acordei.
-Só te acordei para saber se você quer jantar.
-Quero.
Ela colocou a bandeja com a comida em cima da cama.
O celular da Alice não parava de tocar e ela não atendia nenhuma ligação.
-Por que você não atende o celular?
-Não tô afim.
-Quem é que está te ligando?
-O Bernardo.
-Vocês brigaram?
-Acho que sim.
-Agora eu entendi o motivo de você não querer voltar para casa.

Rehab-Capítulo 144

-O médico não disse.
-Você sabe alguma coisa da escola?Eu estou perdendo matéria.
-Você, preocupada com a escola?
-É. Não pode?
-É estranho.
-Fala sério.
-Por que essa preocupação?
-Porque eu estou viajando em todas as matérias e se eu continuar perdendo conteúdo, provavelmente minhas notas serão horríveis.
-Você pode até odiar a escola, mas é responsável.
-A escola é quase um bullying.
-Que exagero.
-Eu me desespero só de entrar lá.
-Será que o seu problema não é a escola. Você poderia mudar de escola.
-Eu me sentiria ainda mais perdida.
-Eu já mudei de escola várias vezes e sempre me acostumava.
-Foi você, não eu.
-Anahy, você também tem capacidade de se acostumar em um lugar novo.
-Não tenho tanta certeza.
Ela olhou no relógio.

Rehab-Capítulo 143

-Você não pode mudar o que aconteceu no passado, mas pode decidir o que quer agora.
-Acho que eu não estou em condições de fazer isso sozinha.
-Você tem poucas escolhas.
-Ir para Newcastle ou para clinica de reabilitação.
-É.
-Eu ainda preciso decidir.
-Você sabe, como todos nós que uma clinica de reabilitação pode te fazer bem.
-Acho que eu sei isso melhor do que ninguém.
-Pensa bem.
-Vou precisar fazer isso.
-Vou fazer um lanche e já volto.
-E o meu que horas é ?
-E o seu o que?
-Meu lanche. Estou com fome.
-Vou falar com enfermeira.
A Alice saiu. Ela voltou  minutos depois com uma bandeja.
-A enfermeira pediu para eu te dar isso.
-Já passou da hora. - ela me entregou a bandeja. - Só isso?
-Não reclama.
-Até quando eu vou ficar aqui?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 142

-Eu consegui com uns meninos da escola, eles vendem  drogas e me fizeram esse favor.
-Só a automutilação não era suficiente para acabar com a sua vida?
-Eu achei que não.
-Anahy, você podia ter morrido. - ela disse, quase gritando.
-É isso que eu quero. Vocês que ainda não entenderam. - gritei  mais do que ela.
-Eu poderia dizer que várias meninas queriam ter a vida que você tem, mas não é isso que eu quero te dizer.
-Então, o que é?
-Você é linda, carinhosa, pode fazer o que quiser, pode ter o que quiser e enxerga a vida de uma forma que ninguém mais consegue enxergar. Mas essa garota se perdeu, seu perdeu dentro de você. Ergue a cabeça e procura ela. Eu vou estar aqui para te ajudar.
-E se eu não encontrar ela?
-Você encontrará uma nova?
-E onde eu vou encontrar essa garota?
-Em qualquer lugar.
-Como assim?
-Ela é você. Com tanto problema você acabou perdendo a sua essência.
Não consegui dizer nada.

Rehab-Capítulo 141

Elas obedeceram o meu pedido.
A Alice confirmou tudo o que eu desconfiava. Mas, será que mudar de país realmente melhoraria a minha vida?Espero que ela não tenha levado a minha resposta a sério.
Tudo isso não me fez bem. Meu corpo doía ainda mais.
Fechei os olhos e desejei não acordar mais.
Meu desejo não se realizou. Acordei com o corpo ainda mais dolorido do que quando havia dormido.
E uma Alice, mais do que desesperada caminhava de um lado para o outro. Ela me olhava e virava o olhar, por várias vezes ela vez isso.
-Você se droga? - ela me perguntou, ainda andando.
-Por que essa pergunta?
-No seu exame de sangue apareceu remédios que você não usa.
-Usei.
-Isso está óbvio, foi comprovado no exame. Eu só quero saber como você conseguiu remédios tarja preta, sem prescrição e Por quê?
-Uma pergunta de cada vez. - eu disse, com ironia.
-Não brinca com isso.

Rehab-Capítulo 140

Os olhos dela se encheram de lágrimas.
-O Jonas  e a Amanda querem te internar em uma clinica de reabilitação.
Meu corpo gelou. Quase desmaiei.
-Eu sabia que não era bom te falar isso agora.
-Eu vou com você.
-Assim, sem pensar? - a Nathaly perguntou mais assustada do que eu.
-Eles não me querem aqui.
-Você não está entendendo.
-Vocês que estão tentando mentir e não conseguem.
-Ela tem razão. - a Alice concordou comigo.
-Não alimenta a imaginação dela.
-Cansei de me envolver na mentira de vocês.
-Ninguém está mentindo.
-Vocês estão prestes a se livrarem do problema que tanto os incomodam.
-Alice, para.
-Ela não merece viver no meio de tanta mentira.
-Você não tem moral para falar sobre mentira.
-Eu não machuco ninguém com o que eu escondo.
-Já que você está tão sincera por que você não fala para ela tudo que está escondendo.
-Isso não tem nada a ver com ela.
-Saiam daqui agora. - gritei

sábado, 13 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 139

-Você já falou para ela? - a Nathaly perguntou para Alice.
-Ainda não.
-É melhor assim.
-Falou o que?
-Depois eu falo.
-Fala agora.
-Já te falei que você não pode fazer esforço.
-É assim que vocês vão me tratar.
-É.
-Fala sério.
-Ninguém está brincando.
Parecia que a Nathaly estava desconfortável em estar comigo.
-O que foi Nathaly, algum problema. - perguntei.
-Não.
-Você parece desconfortável.
-Impressão sua.
As duas se olharam.
-Aconteceu alguma?
-Depois eu falo. - a Alice falou.
-Fala logo.
-Tudo bem.
Ela se aproximou de mim.
-Você já pensou em se mudar de cidade?
-Uma vez, eu achava que isso poderia melhorar um pouco a minha vida.
-E mudar de país?
-O papai e a mamãe vai se mudar?
-Não.
-Então, o que é?
-Eu vou para Newcastle e queria que você fosse comigo.
-Por quê?
-Vai te fazer bem e...
-E o quê?

Rehab-Capítulo 138

-Não faz esforço, pode piorar. - A Alice disse, com certa dificuldade para se levantar.
-Por que eu estou aqui? - era uma pergunta óbvia, que eu já sabia a resposta.
-Você sabe porque e por causa disso você vai ficar mais uns dias aqui.
-É sério que vocês vão fazer isso comigo?
-Foi o médico que decidiu, ele achou melhor fazer alguns exames em você.
Poderia dizer que eu estava bem, mas todos já sabem que isso é mentira.
-E precisa?
-É melhor fazer.
Queria perguntar sobre os meus pais, mas eu preferi evitar futuras decepções.
O celular da Alice começou a tocar. Ela saiu do quarto para atender.
Eu estava me sentindo um pouco desnorteada.
A Alice voltou para o quarto pouco tempo depois.
-Que dia é hoje? - não sabia por qual motivo fiz essa pergunta.
-Terça-feira.
-Que dia eu cheguei aqui?
-Sábado. - ela respondeu. - Você ficou dois dias inconsciente.
Percebi que ela ficou ainda mais preocupada.
-Quem te ligou? - perguntei para mudar de assunto.
-O Bernardo, ele quer que eu vá para casa, a mãe dele vai se hospedar alguns dias lá.
A Nathaly entrou no quarto.
-Vai para casa descansar.
-Não.
-Tem dois dias que você não vai para casa, não se alimenta direito, não dorme e não vai para faculdade.
-Ok. Mas eu tenho consciência do que estou fazendo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Recadinho da autora

Olá.
Faz um pouco mais de um ano que criei esse blog e eu nunca me apresentei, achei que já está na hora de fazer isso. Deixarei aqui o meu outro blog. Espero que gostem.


http://ela-desapareceu.blogspot.com.br/ ou @SheSo_Gone

Beijos.

Sheila Souza

Autora do Blog

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 137

-Você não entende nada mesmo.
-São vocês que não entendem.
-Não sei mais o que eu faço com você.
-Nada, não perde o seu tempo se preocupando comigo.
Estava indo para o meu quarto.
-A nossa conversa não acabou.
-Para mim acabou.
Entrei no meu quarto e tranquei a porta.
Já perdi as contas de quantas vezes me tranquei no meu quarto porque eu queria ficar sozinha.
Revirei o meu guarda-roupa, procurando os antidepressivos que o psiquiatra prescreveu. Tomei todos os comprimidos que haviam sobrado.
Cheguei ao meu limite.


Acordei no hospital.
Não consegui me mexer, sentia dores  muito fortes por todo o meu corpo.
Pude perceber que os meus pulsos estavam enfaixados.
Aos poucos conseguia lembrar o que aconteceu. Depois que tomei o remédio, me cortei com um canivete.
Com um pouco de dificuldade virei o pescoço e vi a Alice dormindo em uma poltrona com o celular na mão. Vi que ela estava acordando.
A Alice estava com a aparência totalmente cansada, com o rosto pálido.
Tentei me virar para o outro lado, mas não consegui, senti muita dor.