terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 159

-Roberta, eu sei disso.
-Ainda bem.
-Jurá que você vai ficar assim?
-Você quer que eu fiquei como depois de saber que a minha melhor amiga tentou se matar.
-Eu te entendo.
-Parece que não.
-Eu percebi que isso não vai me ajudar em nada.
-Quase foi tarde
-O que aconteceu nesses dias que eu fiquei internada?
-Nada que te interesse, mas para mim...
-Conta o que aconteceu.
-Não, afinal, você só se importa com você mesma.
-Para com isso.
-É verdade.
-Me fala  o que aconteceu.
-Depois que você me falou que eu sou parecida com a professora de Ed. Física, eu comecei a conversar com ela.
-Que legal.
-Você tinha razão, nós temos muitas cosias em comum.
-Vocês são muito parecidas.
-Mas a minha mãe  também implica muito com ela.
-Sua mãe implica com todo mundo.
-Isso é verdade.

Rehab-Capítulo 158

-Você tem tudo que uma pessoa deseja. Não joga isso fora.
-Eu acho que eu sou meio burro.
-Tenha certeza disso. Agora some daqui.
Ele saiu.
Voltei para escola numa segunda-feira. A primeira pessoa a vir falar comigo foi a Roberta.
-Como foi a viagem? - ela me perguntou, meio contente.
-Que viagem?
-A que a Nathaly disse que você teve que fazer.
-Foi uma quase viagem só de ida para inferno.
-Como assim?
-É melhor a gente ir para um lugar mais calmo.
Fomos até o nosso cantinho. É um lugar no pátio da escola, mais afastado de tudo, onde as pessoa tinham medo de ir.
-Mentiram para você.
-Ainda não tô entendendo.
-Eu fiquei internada.
-Por quê?
Mostrei meus pulsos para ela.
-Me diz que não é o que eu estou pensando.
-Se você está pensando que eu tentei me matar, é isso sim.
-Você é mesmo uma idiota.

domingo, 28 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 157

-Por isso o susto dele.
-A partir desse dia tudo está desmoronando.
-Ele vai com você nessa viagem?
-Não.
-Por quê?
-Quero me afastar dele.
-Por que fazer isso se você gosta tanto dele?
-De onde você tirou isso?
-Suas palavras podem mentir, mas os seus olhos não.
-O que você sugere que eu faça?
-Fala a verdade?
-Qual?
-Que você ama ele.
-Posso saber qual é o idiota que você ama? - o Bernardo apareceu no meu quarto.
-Você. - ela respondeu. - Você se torna ainda mais idiota por não ter percebido isso. - ela saiu do quarto
-Ela gosta de mim?
-Ela é sua esposa.
-Ela te contou tudo?
-Ela nunca teria feito isso se não te amasse. Parece que você não conhece ela muito bem.
-Acho que eu não queria acreditar que isso fosse verdade.
-E por quê?
-Seria o pior erro da vida dela.
-Gostar de você?
-Gostar de um idiota.
-Eu só  te falo uma coisa.
-O que?

Rehab-Capítulo 156

-Acho que eu não vou conseguir esconder isso por mais tempo.
-Então é verdade o que ela disse?
-Não sei por onde começar.
-Pelo início.
-Tudo começou na faculdade. Eu estava cursando moda e o Bernardo computação gráfica. Graças a amigos em comum viramos amigos, com pouco mais de dois meses eu já sabia tudo sobre a vida dele.
-Por que você mentiu para o papai? Você nunca cursou computação gráfica.
-Então, ele me contou que a avó dele deu uma empresa para ele, isso era o sonho dele. Mas para o Bernardo dirigir essa empresa ele teria que casar.
-Foi por isso que você casou com ele?
-O nosso casamento foi feito através  de um contrato. Eu só fiz isso para ajudar ele, o Bernardo é o meu melhor amigo.
-Não acredito que você fez isso.
-O combinado era que depois de seis meses nós pediríamos o divórcio.
-Mas isso não aconteceu.
-A avó dele disse que se o Bernardo se divorciasse ele perderia a empresa. Ele me implorou para continuar casa com ele.
-Como você ama ele, você aceitou.
-Quem disse que eu amo ele?
-Se você não amasse ele, esse casamento nunca teria acontecido.
-Por causa de um descuido, eu fiquei gravida. Ele não sabia de nada até aquele jantar.


sábado, 27 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 155

Depois de mais ou menos duas horas de jogo...
-Xeque-mate. - eu ganhei a partida.
-Vamos jogar mais uma?
-Agora não dá, o médico te deu alta. - a Alice disse, depois que entrou no quarto.
-Vamos ter que jogar em casa.
-Pode ser.
Peguei os livros que a Alice deixou e coloquei na caixa do jogo de xadrez.
Fomos até o estacionamento onde estava o carro do meu pai. O caminho de volta para casa seria um pouco longo.
Depois de quase uma hora, chegamos em casa. Eu estava exausta.
Logo quando entrei, encontrei a minha mãe na sala, junto com a minha irmã.
-Pensei que você iria ficar mais alguns dias lá.
-Eu pensei que fosse sua filha.
-Pena que a auto mutilação não de deu um pouco de educação.
-Do que você está falando? Foi você que me educou.
-Alguém poderia ter evitado  isso.
-Agora eu entendi com quem ela aprendeu a ser desse jeito.
-A ser idiota acho que eu aprendi com você. - não devia ter falado isso.
-Vamos. Você precisa aprender a hora de sair de cena. - a Alice falou enquanto me empurrava até o meu quarto.
-Me explica uma coisa?
-O que?
-O que está acontecendo com você? Por que você e a Nathaly brigaram daquele jeito?

Rehab-Capítulo 154

-Ainda não entendi.
-Nós tivemos uma conversinha ontem.
-Que pelo jeito foi boa.
-Muito.
-Eu acabei de conversar com o médico.
-O que ele disse?
-Você vai ter alta no fim da tarde. E que você não vai ter mais do que duas cicatrizes.
-Mais duas. - eu disse.
-Ele recomendou que ela faça tratamento psiquiátrico.
-Lá vamos nós.
-Eu já marquei uma consulta com a psicologa e também falei com o psiquiatra. Você vai continuar tomando os remédios.
-Quem é a psicologa?
-A Taís.
-Ela mudou de ideia?
-Sim.
-Você que vai levar ela?
-Pelo visto sim.
-Já posso me arrumar?
-Pode.
Troquei de roupa. E chamei o meu pai para jogar xadrez.
-Vamos jogar?
-Sim.
Como sempre, meu pai ficou com as peças brancas e eu com as pretas. Acho que eu aprendi isso com ele.

Rehab-Capítulo 153

Acordei gritando. Acordei também o meu pai, que estava dormindo em uma poltrona. No mesmo instante em que acordei, a Alice entrou no quarto.
-O que aconteceu?
-Sonho ruim.
-Você tinha muitos pesadelos quando era criança.
-Não lembo disso.
-E acordava todo mundo.
-Também não lembro disso.
-Você era muito pequena quando isso acontecia.
-Tá explicado porque eu não lembro.
-Qual foi  o pesadelo?
-Eu sonhei que estava morrendo afogada.
-Mas não é isso que você quer?
-Foi bem diferente do que eu sempre imaginava.
-Sua imaginação mostrou o que você queria ver e não o que realmente aconteceria.
-Eu quase senti isso.
-Esquece isso. - meu pai disse.
-Dormiu bem? - ela perguntou.
-Eu não diria bem, diria feliz.
-Feliz?
-Acho que pela primeira vez ela escutou o que queria ouvir.

domingo, 21 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 152

-Eu sabia.
-Para ela também está sendo difícil.
-Pai, não precisa se esforçar tanto para mentir.
-Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça da sua mãe.
-Quando você vai pedir o divórcio?
-Eu desisti de me divorciar dela.
-Você só pode estar brincando. Por quê?
-Por causa de tudo que está acontecendo. Esse não é o melhor momento.
-É você que sabe.
-Agora eu quero só que você melhore.
-Você ajudaria muito lendo um desses livros que a Alice deixou.
-Qual deles?
-Você escolhe.
-A marca de uma lágrima. Pode ser?
-Pode.
Ele começou a ler. Como sempre fazia quando me colocava para dormir. Senti uma sensação muito boa, era como se tudo que havia acontecido antes, estivesse acontecendo agora. Não foi muito diferente de quando eu era criança, depois do segundo capítulo eu já estava dormindo.
Eu estava no fundo do mar,estava presa. Tentava nadar, mas não conseguia, tentava gritar, mas era impossível. Eu estava me desesperando. Eu estava morrendo, morrendo afogada...

Rehab-Capítulo 151

Meu pai também estava chorando.
-É tão duro saber que você que você quer jogar tudo isso fora.
-Tudo isso não pode e não vai ter sido em vão.
-Eu sei que não. Eu confio em você.
-Você sempre confiou, mesmo quando os outros já tinham desistido.
-Eu nunca vou desistir da minha garotinha.
-Só não esquece que ela cresceu.
-Isso está muito claro.
-Papai.
-O que foi?
-Eu te amo. Te amo mais do que tudo e todos.
-Eu também.
-E a Hilary?
-O que tem ela?
-Nós duas somos exatamente iguais.
-Pra mim não.
-O que ela significa para você?
-Isso agora não importa. Nós estamos falando de sobre você.
-O que eu significa para a mamãe?
-Isso você vai ter que perguntar para ela.
-Tenho certeza que ela não veio me visitar.
-Não coloca coisas na sua cabeça.
-Não menti para mim.
-Realmente, ela ainda não veio.

sábado, 20 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 150

-Quando vocês nasceram, eu estava viajando e logo que eu soube  fui para o hospital, mas para avisar a Amanda sobre o divórcio.
-Por que você mudou de ideia?
-Quando eu cheguei, em vez de eu ir até o quarto, fui primeiro ao berçário . E vi uma menininha chamada Anahy Taylor, perguntei para enfermeira  se eu podia pegar ela no colo e a enfermeira me trouxe aquela menininha. A menininha quando me viu começou a chorar e fez eu me sentir um idiota por ter feito  aquela menininha linda chorar, mas um idiota muito feliz, por saber que eu era o pai dela. Daquele dia em diante, decidi não deixar a minha menininha sozinha, não deixar ela sofrer, mas eu não fiz isso direito.
Quando eu percebi, já estava em prantos.
-Não chora. - ele disse enquanto secava as minhas lágrimas.
-A única idiota aqui, sou eu, por nunca ter percebido tudo isso.
-Você não é idiota, você é a  menininha que eu não soube cuidar direito.
-Como não? Você sempre esteve do meu lado quando eu mais precisei. No meu primeiro dia de aula  foi você que me aturou chorando porque eu não queria entrar na escola, foi você que me ajudou na minha primeira lição de casa, foi você que me ensinou a andar de bicicleta, foi você que esteve do meu lado no meu primeiro tombo, sempre foi você que me colocava na cama e contava histórias antes de eu dormir. Você me ajudou a construir essa pessoa que eu sou hoje. - acho que eu nunca fui tão sincera.

Rehab-Capítulo 149

Esperei a Alice sair, para poder dormir.
Fechei os olhos. E me imaginei no jardim da casa dela.
Realmente fiz o que ela falou, fiquei com os olhos fechados e quieta.
Depois de certo tempo, ouvi a porta se abrir, mas não quis ver quem era, continuei com os olhos fechado.
-Oi. - reconheci aquela voz. Era o meu pai. - Desculpa não ter vindo antes, para mim está sendo muito difícil saber que você está nesse estado e eu não poder fazer muita coisa.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
-É difícil ver aquela garotinha, que eu vi nascer, sofrendo.Eu não consigo me conformar.
Pela primeira vez, em toda a minha vida, vi o meu pai abrir o seu coração, dizer o que estava sentindo.
-Quando eu te vi pela primeira vez, percebi o porque da minha existência. Ser pai de uma garotinha linda. Que chorou quando meu viu pela primeira vez, que fez eu me sentir um grande idiota, mas o idiota mais feliz do mundo.
Não consegui conter o choro.
-Fiz de tudo para ser o melhor pai do mundo, mas não consegui. - a voz dele começou a ficar trêmula. - Ouviu minha pequenina, eu sei que você está acordada.
Abri os olhos e olhei fixamente para ele.
-Você é o melhor pai do mundo.
-O papai te ama.
-Eu também te amo.
-Quero que você melhore o mais rápido possível.
-A Alice me falou que eu salvei  seu casamento. Isso é verdade?
-Sim.
-Me explica isso direito.
-Quando eu conheci a sua mãe, ela já tinha adotado a Nathaly e a Alice, mas eu sempre considerei elas como minhas filhas.
-Eu não sabia disso.
-Mais ou menos um ano depois do nosso casamento, eu iria pedir o divórcio, mas a Amanda me disse que estava grávida. Então, resolvi adiar o divórcio para depois, depois que vocês nascessem.
-Mas você não fez isso.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 148

-Posso começar?
-Pode.
Fiz o meu primeiro movimento no tabuleiro. E logo após, a Alice fez o dela.
Não trocávamos nenhuma palavra durante o jogo.
Eu estava fazendo um esforço muito grande para me concentrar, mas não estava sendo fácil. Meus pensamentos estavam em qualquer lugar, menos naquele jogo.
-Xeque-mate. - a Alice venceu a partida.
-Foi justo.
-Você não estava conseguindo se concentrar.
-Eu sei.
Horas já tinham se passado.
-Já está muito tarde, você precisa dormir.
-Eu já dormi muito por hoje.
-Você não vai passar a noite acordada.
-Não sei vou conseguir dormir.
-Se você fechar os olhos e ficar quietinha, vai conseguir.
-Vou tentar.
-Boa noite. Até amanhã. - ela me deu um beijo no rosto.
-Você vai voltar?
-Vou.
-Vou te esperar.
-Espera dormindo.
-Tudo bem.

Rehab-Capítulo 147

-Eu lembro.
-Você é muito especial para ele.
-E por quê?
-Você fez o casamento da Amanda e do Jonas durar mais alguns anos.
-Eu?
-Sim.
-Isso não faz sentido.
-Para você pode não fazer sentido, mas para ele faz.
-Me explica isso direito.
-Não posso, até porque eu não sei de muita coisa, seria muito melhor você perguntar para ele.
-Ele não vem me visitar.
-O papai está aqui no hospital praticamente desde quando você foi internada.
-E por que ele não fica aqui, comigo?
-Para ele é muito difícil te ver assim, doente, frágil. Ele faz isso para não sofrer ainda mais.
-E eu que achei que ele não se preocupava comigo.
-Foi um erro seu achar isso.
Fiquei pensando por alguns instantes, enquanto arrumava o tabuleiro de xadrez. Até que, me perdi nos meus pensamentos.
-Vamos jogar? - perguntei para Alice.
-Pensei que você não fosse me fazer esse convite.
-Eu fico com as peças brancas.
-Você sempre escolhe elas.
-Isso nunca faz diferença.
-Lógico que não.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 146

-Não é por causa disso.
-É por quê?
-Eu quero ficar próxima de você, afinal, eu passei muito tempo longe.
-Não é só por causa disso.
-Eu tenho medo de te deixar sozinha.
-Aqui  não tenho como eu  fazer nada.
-Eu te conheço muito bem, você conseguiria fazer qualquer coisa.
-Até que eu conseguira.
-Termina de comer. - ela se levantou da cadeira e se aproximou da porta. - Já volto.
-Não demora.
A minha irmã voltou com uma caixa.
-O que é isso?
-Olha. - ela me entregou a caixa.
-Um jogo de xadrez.
-Me disseram que você sabe jogar.
-O papai me ensinou quando eu tinha seis anos.
-Pra mim também.
-Ele ensinou para todas as filhas?
-Não. - ela respondeu rindo. - O xadrez é a paixão do papai, ele só ensina o que sabe para quem mostra interesse pelo jogo.
-Isso aconteceu comigo e com você.
-Do mesmo jeito que eu o atormentei para ele me ensinar, você também o atormentou.

Rehab-Capítulo 145

-Você precisa descansar.
-Eu não quero ficar sozinha.
-Você não vai, a Nathaly e o Jonas estão ai. - pela segunda vez ela chamava o meu pai pelo nome.
-Você vai para sua casa?
-Mas eu voltou mais tarde ou amanhã de madrugada.
-Vou te esperar.
-Deixei alguns livros na comoda ao lado da sua cama, lê um pouco.
-Tá.
-Se cuida. - ela me deu um beijo na testa.
Virei para o lado com muita dificuldade. Os meus olhos queriam fechar a qualquer custo. Acho que os remédios estavam fazendo efeito além do necessário.
Queria que esses dias que eu tivesse que ficar internada passassem o mais rápido possível.
Dormi.
-Ei, acorda. - ouvi alguém dizer.
-Só mais cinco minutinhos. - eu disse, ainda dormindo.
-Any, acorda. - percebi que era a voz da Alice.
-Acordei.
-Só te acordei para saber se você quer jantar.
-Quero.
Ela colocou a bandeja com a comida em cima da cama.
O celular da Alice não parava de tocar e ela não atendia nenhuma ligação.
-Por que você não atende o celular?
-Não tô afim.
-Quem é que está te ligando?
-O Bernardo.
-Vocês brigaram?
-Acho que sim.
-Agora eu entendi o motivo de você não querer voltar para casa.

Rehab-Capítulo 144

-O médico não disse.
-Você sabe alguma coisa da escola?Eu estou perdendo matéria.
-Você, preocupada com a escola?
-É. Não pode?
-É estranho.
-Fala sério.
-Por que essa preocupação?
-Porque eu estou viajando em todas as matérias e se eu continuar perdendo conteúdo, provavelmente minhas notas serão horríveis.
-Você pode até odiar a escola, mas é responsável.
-A escola é quase um bullying.
-Que exagero.
-Eu me desespero só de entrar lá.
-Será que o seu problema não é a escola. Você poderia mudar de escola.
-Eu me sentiria ainda mais perdida.
-Eu já mudei de escola várias vezes e sempre me acostumava.
-Foi você, não eu.
-Anahy, você também tem capacidade de se acostumar em um lugar novo.
-Não tenho tanta certeza.
Ela olhou no relógio.

Rehab-Capítulo 143

-Você não pode mudar o que aconteceu no passado, mas pode decidir o que quer agora.
-Acho que eu não estou em condições de fazer isso sozinha.
-Você tem poucas escolhas.
-Ir para Newcastle ou para clinica de reabilitação.
-É.
-Eu ainda preciso decidir.
-Você sabe, como todos nós que uma clinica de reabilitação pode te fazer bem.
-Acho que eu sei isso melhor do que ninguém.
-Pensa bem.
-Vou precisar fazer isso.
-Vou fazer um lanche e já volto.
-E o meu que horas é ?
-E o seu o que?
-Meu lanche. Estou com fome.
-Vou falar com enfermeira.
A Alice saiu. Ela voltou  minutos depois com uma bandeja.
-A enfermeira pediu para eu te dar isso.
-Já passou da hora. - ela me entregou a bandeja. - Só isso?
-Não reclama.
-Até quando eu vou ficar aqui?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 142

-Eu consegui com uns meninos da escola, eles vendem  drogas e me fizeram esse favor.
-Só a automutilação não era suficiente para acabar com a sua vida?
-Eu achei que não.
-Anahy, você podia ter morrido. - ela disse, quase gritando.
-É isso que eu quero. Vocês que ainda não entenderam. - gritei  mais do que ela.
-Eu poderia dizer que várias meninas queriam ter a vida que você tem, mas não é isso que eu quero te dizer.
-Então, o que é?
-Você é linda, carinhosa, pode fazer o que quiser, pode ter o que quiser e enxerga a vida de uma forma que ninguém mais consegue enxergar. Mas essa garota se perdeu, seu perdeu dentro de você. Ergue a cabeça e procura ela. Eu vou estar aqui para te ajudar.
-E se eu não encontrar ela?
-Você encontrará uma nova?
-E onde eu vou encontrar essa garota?
-Em qualquer lugar.
-Como assim?
-Ela é você. Com tanto problema você acabou perdendo a sua essência.
Não consegui dizer nada.

Rehab-Capítulo 141

Elas obedeceram o meu pedido.
A Alice confirmou tudo o que eu desconfiava. Mas, será que mudar de país realmente melhoraria a minha vida?Espero que ela não tenha levado a minha resposta a sério.
Tudo isso não me fez bem. Meu corpo doía ainda mais.
Fechei os olhos e desejei não acordar mais.
Meu desejo não se realizou. Acordei com o corpo ainda mais dolorido do que quando havia dormido.
E uma Alice, mais do que desesperada caminhava de um lado para o outro. Ela me olhava e virava o olhar, por várias vezes ela vez isso.
-Você se droga? - ela me perguntou, ainda andando.
-Por que essa pergunta?
-No seu exame de sangue apareceu remédios que você não usa.
-Usei.
-Isso está óbvio, foi comprovado no exame. Eu só quero saber como você conseguiu remédios tarja preta, sem prescrição e Por quê?
-Uma pergunta de cada vez. - eu disse, com ironia.
-Não brinca com isso.

Rehab-Capítulo 140

Os olhos dela se encheram de lágrimas.
-O Jonas  e a Amanda querem te internar em uma clinica de reabilitação.
Meu corpo gelou. Quase desmaiei.
-Eu sabia que não era bom te falar isso agora.
-Eu vou com você.
-Assim, sem pensar? - a Nathaly perguntou mais assustada do que eu.
-Eles não me querem aqui.
-Você não está entendendo.
-Vocês que estão tentando mentir e não conseguem.
-Ela tem razão. - a Alice concordou comigo.
-Não alimenta a imaginação dela.
-Cansei de me envolver na mentira de vocês.
-Ninguém está mentindo.
-Vocês estão prestes a se livrarem do problema que tanto os incomodam.
-Alice, para.
-Ela não merece viver no meio de tanta mentira.
-Você não tem moral para falar sobre mentira.
-Eu não machuco ninguém com o que eu escondo.
-Já que você está tão sincera por que você não fala para ela tudo que está escondendo.
-Isso não tem nada a ver com ela.
-Saiam daqui agora. - gritei

sábado, 13 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 139

-Você já falou para ela? - a Nathaly perguntou para Alice.
-Ainda não.
-É melhor assim.
-Falou o que?
-Depois eu falo.
-Fala agora.
-Já te falei que você não pode fazer esforço.
-É assim que vocês vão me tratar.
-É.
-Fala sério.
-Ninguém está brincando.
Parecia que a Nathaly estava desconfortável em estar comigo.
-O que foi Nathaly, algum problema. - perguntei.
-Não.
-Você parece desconfortável.
-Impressão sua.
As duas se olharam.
-Aconteceu alguma?
-Depois eu falo. - a Alice falou.
-Fala logo.
-Tudo bem.
Ela se aproximou de mim.
-Você já pensou em se mudar de cidade?
-Uma vez, eu achava que isso poderia melhorar um pouco a minha vida.
-E mudar de país?
-O papai e a mamãe vai se mudar?
-Não.
-Então, o que é?
-Eu vou para Newcastle e queria que você fosse comigo.
-Por quê?
-Vai te fazer bem e...
-E o quê?

Rehab-Capítulo 138

-Não faz esforço, pode piorar. - A Alice disse, com certa dificuldade para se levantar.
-Por que eu estou aqui? - era uma pergunta óbvia, que eu já sabia a resposta.
-Você sabe porque e por causa disso você vai ficar mais uns dias aqui.
-É sério que vocês vão fazer isso comigo?
-Foi o médico que decidiu, ele achou melhor fazer alguns exames em você.
Poderia dizer que eu estava bem, mas todos já sabem que isso é mentira.
-E precisa?
-É melhor fazer.
Queria perguntar sobre os meus pais, mas eu preferi evitar futuras decepções.
O celular da Alice começou a tocar. Ela saiu do quarto para atender.
Eu estava me sentindo um pouco desnorteada.
A Alice voltou para o quarto pouco tempo depois.
-Que dia é hoje? - não sabia por qual motivo fiz essa pergunta.
-Terça-feira.
-Que dia eu cheguei aqui?
-Sábado. - ela respondeu. - Você ficou dois dias inconsciente.
Percebi que ela ficou ainda mais preocupada.
-Quem te ligou? - perguntei para mudar de assunto.
-O Bernardo, ele quer que eu vá para casa, a mãe dele vai se hospedar alguns dias lá.
A Nathaly entrou no quarto.
-Vai para casa descansar.
-Não.
-Tem dois dias que você não vai para casa, não se alimenta direito, não dorme e não vai para faculdade.
-Ok. Mas eu tenho consciência do que estou fazendo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Recadinho da autora

Olá.
Faz um pouco mais de um ano que criei esse blog e eu nunca me apresentei, achei que já está na hora de fazer isso. Deixarei aqui o meu outro blog. Espero que gostem.


http://ela-desapareceu.blogspot.com.br/ ou @SheSo_Gone

Beijos.

Sheila Souza

Autora do Blog

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 137

-Você não entende nada mesmo.
-São vocês que não entendem.
-Não sei mais o que eu faço com você.
-Nada, não perde o seu tempo se preocupando comigo.
Estava indo para o meu quarto.
-A nossa conversa não acabou.
-Para mim acabou.
Entrei no meu quarto e tranquei a porta.
Já perdi as contas de quantas vezes me tranquei no meu quarto porque eu queria ficar sozinha.
Revirei o meu guarda-roupa, procurando os antidepressivos que o psiquiatra prescreveu. Tomei todos os comprimidos que haviam sobrado.
Cheguei ao meu limite.


Acordei no hospital.
Não consegui me mexer, sentia dores  muito fortes por todo o meu corpo.
Pude perceber que os meus pulsos estavam enfaixados.
Aos poucos conseguia lembrar o que aconteceu. Depois que tomei o remédio, me cortei com um canivete.
Com um pouco de dificuldade virei o pescoço e vi a Alice dormindo em uma poltrona com o celular na mão. Vi que ela estava acordando.
A Alice estava com a aparência totalmente cansada, com o rosto pálido.
Tentei me virar para o outro lado, mas não consegui, senti muita dor.

Rehab-Capítulo 136

-Você deixou a gente muito preocupado.
-Você aprendeu a mentir muito bem.
-Vamos. Entra no carro.
Fiz o que ela mandou. A Nathaly demorou um pouco para entrar também.
Voltamos para casa sem dizer uma palavra.
Quando chegamos queria ir direto para o meu quarto, mas a Nathaly não deixou.
-Aonde você vai?
-Para o meu quarto.
-Agora não. Nós precisamos conversar.
-Deixa para depois.
-Essa conversa vai ser agora. - pela primeira vez eu vi a Nathaly se alterar comigo.
-Tudo bem, pelo jeito eu não tenho outra opção.
-Não tem.
-Precisa de  tudo isso?
-O que está acontecendo? Por que você está fazendo isso?
-Porque eu não aguento mais como vocês me tratam.
-E como a gente te trata?
-Como se eu não existisse.
-Isso não é verdade.
-Presta mais atenção ao seu redor e você vai ver que é.
-Isso não justifica as suas atitudes.
-Mas me dá motivos.

Rehab-Capítulo 135

-Seus pais estão passando por uma fase difícil, mas com o tempo eles vão superar e tudo vai voltar ao normal.
-Não é só eles que estão passando por uma fase difícil, eu também
-Mas o seu caso é diferente.
-Como?
-Você precisa de tratamento, de compreensão, de cuidados porque você pode piorar. - ela me explicou. - E os seus pais só estão enfrentando uma crise no casamento, uma boa conversa resolve.
-Brigas, você quis dizer.
-Não, brigas não levam a nada.
-É que você não viu as brigas deles.
-E nem quero ver.
-Você ainda gosta dele?
-Que pergunta indiscreta.
-Isso não serve como resposta.
Ela olhou pela janela para disfarçar.
-Sua irmã chegou.
-Não fala nada sobre isso para Roberta.
-Tudo bem.
-Tchau. - a Taís me acompanhou até a porta.
A Nathaly estava me esperando.
-Você está bem? - ela perguntou preocupada.
-Sim.
-Nunca mais faz isso.
-Você sabe que eu não cumpro as minhas promessas.

sábado, 6 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 134

-Sabia que era por causa disso.
-Não é só por isso.
-Ainda não acredito.
-Mas eu prometo que vou te ajudar.
-Seu eu fosse você não perdia o seu tempo comigo.
-Mas você não é.
-Sorte sua.
-Agora que você terminou de comer, posso ligar para sua casa?
-Pode.
Ela foi até a sala, pegou o telefone e ligou para minha casa. Não consegui escutar a conversa dela.
Uns cinco minutos depois ela voltou.
-Sua irmã já está vindo.
-Ainda bem que é ela.
-Por que toda essa revolta com os seus pais?
-Porque eles me desprezam.
-É exagero seu.
-Não é, pergunta para Alice.
-Pode ter certeza que sim.
-Só a Alice e a Nathaly que se preocupam comigo.
-No fundo, eu não quero acreditar nisso, mas eu sei que é verdade.
-Até você sabe.
-Seu pai só casou com a Amanda por causa de vocês, mas agora ele esqueceu isso.
-Percebi.

Rehab-Capítulo 133

Entramos no carro dela.
A Taís não morava muito longe do consultório.
-A Roberta está?
-Não, ela saiu com o pai.
Demorei um pouco para sair do carro.
Entrei na casa dela com um pouco de receio.
-Vou pedir para Ana preparar um lanche para você.
-Não precisa.
-Precisa, você não está se alimentando direito.
-Como você sabe tanta coisa sobre mim?
-Não tem  importância.
-Lógico que tem.
-Só falo se você fizer um lanche.
-Você me convenceu.
Fomos até a cozinha. A Ana, empregada da casa, preparou um sanduíche para mim.
-A sua irmã me ligou.
-Então é ela que te informa sobre mim?
-Sim.
-O que ela  queria?
-Que eu fizesse um consulta com você.
-E o que você respondeu?
-Que não. - me surpreendi com a atitude dela. - Mas eu indiquei para ela uma amiga.
-E por que você recusou? - eu estava um pouco decepcionada.
-Porque eu não aguento mais arrumar confusão com a sua família, se eu te atender é praticamente uma declaração de guerra.
-Então para você importa mais se minha mãe gosta de você ou não, do que...
-Não é isso. Mais confusão só vai piorar o seu estado, que já frágil.
-Você está mentindo.
-Pode não ser só por causa disso.
-É porque eu só a filha do cara que você gosta.
-Também.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Rehab-Capítulo 132

-Nada. - era a Taís.
-Você está com o rosto machucado, o que aconteceu? - saí de casa com tanta raiva que não percebi esse detalhe.
-Não foi nada.
-Vem comigo.
Estávamos em frente ao consultório dela. Entramos.
-Pensei que você fosse para casa.
-Mudei de ideia.
A Taís pegou alguns utensílios para tratar o meu ferimento.
-Foi só um corte. - ela disse. - Como você fez isso?
Não queria dizer, mas não aguentei.
-A minha mãe me deu um tapa.
-Como ela foi capaz de fazer isso? - ela estava indignada.
Ela limpou o corte, que sangrava muito e fez um curativo.
-Pronto. Terminei.
Não conseguia dizer nada.
-Agora eu vou te levar para casa.
-Não, por favor.
-Então, eu te levo para minha casa e peço para alguém ir te buscar.
-Tudo bem.
-Pedro. - ela chamou.
-Oi. - a pessoa que havia falado com ela naquela hora apareceu.
-Já vou. Cuida de tudo.
-Pode deixar.
-Vamos.

Rehab-Capítulo 131

-Mãe, não começa.
Me despedi da Taís e voltei para enfrentar a minha mãe.
-O que ela estava fazendo aqui?
Ela estava conversando comigo. - por alguns segundos passou pela minha cabeça a ideia de dizer a verdade, mas desisti, só iria trazer mais confusão.
-Não quero que isso aconteça novamente.
-Para de pensar só em você.
-O que você disse?
-Que você só pensa em si mesma.
-Vou fingir  que não ouvi isso.
-Você é egoísta. - eu gritei, enquanto ela saía da sala.
-Repete. - ela se aproximou de mim.
-Você é egoísta.
A minha mãe me deu um tapa no rosto.
-Isso é para você aprender a me respeitar.
Saí de casa.
Estava sem rumo, não sabia para onde ir, estava totalmente sem sentindo.
Caminhava para qualquer direção. Já havia anoitecido, ventava muito, fazia frio.
Tinha me afastado muito de casa.
O medo estava me dominando.
Havia saído de casa sem celular, sem nada, eu estava incomunicável.
-Anahy, o que você está fazendo aqui? - ouvi alguém perguntar.
Me virei para ver quem era.

Rehab-Capítulo 130

-Sempre achei que se eles se separassem seria melhor, mas eu estava errada.
-Você não está errada, e sim com medo.
-Que seja.
Saí da sala, voltar para o meu quarto seria a melhor coisa que eu podia fazer.
Quando cheguei na porta do quarto, percebi que ela estava atrás de mim.
-Eu quero ficar sozinha.
-Não. Você quer que eu pense isso. - a Taís tinha razão.
-Tanto faz.
-Posso entrar?
Não respondi.
-Está meio bagunçado.
-Eu sei.
-Você está estranha.
-Você acha?
-Me falaram.
-Quem?
-Não importa.
-Minha vida já não estava nada bem, agora me acontece mais essa.
-Será que realmente está tudo ruim ou é apenas você que está enxergando desse jeito.
-Você me confundiu.
-Reflete um pouco sobre isso.
-Vou  tentar.
-Tenho que ir.
Acompanhei a Taís até a sala.
-O que você está fazendo aqui? - a minha mãe perguntou, ela tinha acabado de chegar.